
“Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti” é a versão mais conhecida de uma regra que um missionário canadiano baptizou como sendo a regra de ouro porque, com poucas variações, existe em todas as religiões do nosso planeta. Cito algumas:
- Hinduísmo - Este é o supremo dever: não faças aos outros o que poderia causar dor se te fosse feito a ti. Mahabharata 5: 1517
- Budismo – No tratamento dos outros não uses maneiras que seriam dolorosas para ti. O Buda, Udana-Varga 5.1
- Confucionismo - Uma palavra que resume a base de toda a boa conduta: bondade. Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti mesmo. Confúcio Analectos 15:23
- Judaísmo - O que é odioso para ti, não o faças ao teu vizinho. Esta é a toda a Torá; tudo o resto é comentário. Vai e aprende-a. Rabino Hillel Talmud, 31
- Islão - Não te consideres crente enquanto não desejares aos outros o que desejas para ti. Profeta Muhammad, 13 de Hadiths 40 de Nawawi
- Cristianismo - Em tudo, faz aos outros, o que desejarias que os outros te fizessem a ti; esta é toda a lei e profetas. Mateus 7:12
Formulando a regra de ouro pela negativa estas religiões só nos dizem o que devemos evitar; enquanto o cristianismo na sua formulação positiva diz-nos o que devemos fazer. Apesar da formulação muçulmana ser também positiva (o que pode dever-se à inegável influência cristã nesta religião, que nasceu 600 anos depois de Cristo), esta expressa um desejo e não comanda uma ação. Não ultrapassa por isso o nível das boas intenções…
O que me faz bom não é o meu esforço para evitar o mal mas, sim, o meu esforço para fazer o bem. Enquanto as formulações negativas e a expressão de um desejo deixam-me no “dolce fare niente”, a formulação cristã, o mandamento de Cristo, tira-me da minha passividade, da minha inércia, da minha preguiça ou da minha zona de conforto, fazendo de mim um ativista pela justiça e pela paz.
Pe. Jorge Amaro, IMC