15 de junho de 2012
Autoconhecimento
Conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres. João 8, 32
Depois de me dar conta de quem sou, do lugar que ocupo e do tempo em que vivo, pela prática da autoconsciência, a busca do sentido da minha vida requer que eu me questione sobre a minha identidade, que me conheça, que saiba quem sou, o que sou e como sou.
Para viver a vida com sentido preciso de conhecer os meus talentos, as minhas inclinações naturais e tendências, os meus defeitos, a minha forma de ser e atuar, para saber com o que posso contar antes de decidir o que fazer com a minha vida.
Processo contínuo
O ser humano não é um objeto físico que possa ser delimitado, medido e pesado, não pode ser colocado num tubo de ensaio, não é estático, pelo que não é sempre o mesmo ao longo do tempo, cresce, muda e transforma-se. As regras gerais são tantas como as exceções, pelo que não é possível uma definição final, porque o ser humano sempre escapa a todo o tipo de conceptualização.
Não sendo possível delimitar e definir o ser humano por completo e de uma vez por todas, podemos no entanto encontrar constantes, sentimentos, emoções, formas de agir e de pensar que se repetem, deixando antever um determinado tipo de caráter e personalidade que nos sirvam de orientação para viver com sentido o momento presente. São conclusões inconclusivas que servem para formular outras perguntas e para ir dando um rumo e um sentido ao nosso viver.
A janela de Johari
É uma técnica que nos faz entender de uma forma clara a relação que estabelecemos com os outros e connosco próprios. Como as janelas clássicas das nossas casas, divide-se em quatro pequenas janelas e duas áreas que se intercetam. A primeira área diz respeito ao que os outros conhecem e desconhecem de mim; a segunda diz respeito ao que eu conheço e desconheço de mim. Da interceção destas quatro áreas resultam vários tipos de eu: o eu aberto, o eu cego, o eu escondido e o eu desconhecido.
O Eu aberto – É formado pelas atitudes, valores, comportamentos que eu conheço e que os outros também conhecem acerca de mim. Trata-se do eu público, uma área que contém informação que é do conhecimento de todos: nome, idade, factos, talentos etc.
O Eu cego – Formado por coisas que eu desconheço acerca de mim e que os outros conhecem. Esta é a prova de que o ser humano é um ser social. A nossa individualidade é formada no confronto contínuo com os outros, começando pelas pessoas que são mais significativas, os nossos pais e irmãos.
Somos incapazes de ver a nossa cara tal qual ela é. A imagem que vemos no espelho sempre é uma distorção da realidade pois não há espelhos perfeitos. Os outros veem a minha cara tal qual ela é; por isso, uma das chaves para a minha intimidade, para o meu autoconhecimento são os outros que a têm. Quem está dentro da floresta só vê árvores, não vê a floresta, não tem uma visão global; o outro traz-me objetividade e uma visão global do que eu sou…
Quem dizem os homens que Eu sou? (…) E vós, quem dizeis que Eu sou? (Marcos 8, 27,29) Os outros podem ter uma ideia e uma imagem bem diferente daquela que possuímos, e tão verdadeira é a deles como a nossa. Eu sou, ao mesmo tempo, o que eu penso que sou e o que os outros pensam que eu sou.
É importante manter uma relação de amizade com uma pessoa significativa para nós, de modo a que possa dar-nos sempre o feedback sobre o que somos e como estamos a ser vistos pelos outros. O próprio Jesus precisou deste feedback dado pelos seus discípulos.
O Eu escondido – Formado pelo que nós conhecemos de nós mesmos e que decidimos não revelar, por medo ou outras razões; é o que chamamos a nossa privacidade e intimidade, sentimentos e experiências passadas que preferimos não revelar. Em geral, se esta área for muito grande, podemos ser julgados por falta de autenticidade.
É psicologicamente saudável ter alguém que sabe tudo ou quase tudo acerca de mim; é importante que eu possua uma pessoa amiga com a qual sou um livro aberto, com a qual o meu Eu é totalmente aberto. Mas, por segurança, não podem ser muitas, estas pessoas.
Não sem razão o povo diz, “Livre-me Deus dos meus amigos que dos meus inimigos me livro eu”, ou ainda “ninguém descubra o seu peito por maior que seja a dor, pois quem o seu peito descobre de si mesmo é traidor”.
O Eu desconhecido – Constituído por todo o material que está no meu inconsciente e que às vezes aflora sem aviso prévio quando algo acontece; é material que não é conhecido por mim nem pelos outros. Trata-se de informação sobre nós mesmos que ainda está por descobrir; áreas de reconhecido talento, potenciais, motivos ou memórias de infância que estão adormecidas e influenciam o nosso comportamento de uma forma desconhecida para nós.
Ao eu desconhecido aplica-se uma máxima da psicologia que bem poderia ser escrita no Oráculo de Delfos dos tempos modernos: o que sabemos de nós próprios, conseguimos controlar, o que não sabemos controla-nos a nós. É neste sentido que Jesus nos aconselha a conhecer a verdade, pois só conhecendo a verdade acerca de nós mesmos podemos ser livres, podemos ter a nossa vida nas nossas mãos, possuir-nos para nos podermos doar.
Quanto ao eu desconhecido, somos um mistério para os outros e para nós mesmos. Só não o somos para Deus. Neste sentido, podemos comparar-nos a um iceberg: há uma grande parte da nossa personalidade que não é acessível de uma forma direta e voluntária, como uma base de dados para a qual eu não possuo a palavra-passe.
No entanto, não está completamente velado e trancado como uma caixa-forte. Há momentos e circunstâncias em que o inconsciente se revela; são momentos que estão fora do nosso controlo e que devemos aproveitar. Podemos dizer que são mensagens que o nosso inconsciente manda ao consciente, mensagens que devem ser entendidas, descodificadas e aproveitadas na vida do dia-a-dia.
Lapsus linguae – São afirmações que fazemos inadvertidamente sem querer e, às vezes, fora de contexto: é o que o povo chama de fugir a língua para a verdade. É uma forma que o inconsciente tem de se revelar ao consciente. Como são inconscientes, quem as diz não se apercebe delas mas um amigo ou um psicoterapeuta pode revelá-las através de feedback.
Sonhos – Todos sonhamos, sempre sonhamos e os sonhos são sempre e exclusivamente acerca de nós. Cada objeto, cada personagem, faz parte de nós. O sonho é sempre subjetivo, nunca objetivo: se sonho com o meu pai, não é verdadeiramente com ele que estou a sonhar mas com o tipo de relação que tenho com ele, como o conceptualizo, etc.
Trabalhar ou analisar um sonho é como viajar ao subconsciente. Muitas vezes os sonhos são metafóricos, fantasmagóricos e até ridículos; estas são formas que o inconsciente tem para nos chamar a atenção para algo.
Linguagem corporal – O que digo, o que faço, é consciente; a linguagem corporal é inconsciente, só o outro se apercebe dela e a pode interpretar. Como é inconsciente é mais verdadeiro o que digo com a linguagem corporal que o que digo de viva voz. De facto, como dizemos em português, o gesto é tudo e grande parte da nossa comunicação é não-verbal. Ela diz mais do que o que digo por palavras porque não a controlo.
Crescer como pessoa humana é sinónimo de crescer no conhecimento de mim mesmo. Este conhecimento não é só resultado da introspeção; um psicoterapeuta disse um dia que para nos conhecermos a nós próprios, não há quantidade de introspeção ou autoexame será suficiente. Podemos autoanalisar-nos por semanas ou meditar por meses e não avançamos nem um centímetro: é como tentar cheirar o próprio hálito ou rirmos ao fazermos cócegas a nós próprios.
A introspeção é evidentemente um fator no processo para um maior autoconhecimento, mas não é o único. O processo é constituído por outros dois fatores que atuam em forma de triângulo dinâmico.
O que aprendo sobre mim mesmo pela introspeção é completado pelo feedback das pessoas que são importantes para mim; desta forma, ficam harmonizados os quatro eus e de alguma forma fundidos num só Eu. Quando vivo uma relação de amor com pessoas que querem o meu bem, o seu feedback pode ajudar-me também a conhecer cada vez mais e mais do meu inconsciente.
A aventura de viver
“A situação faz o ladrão” – o feedback sobre o que sou verdadeiramente nem sempre me é dado pelos outros mas pelas situações em que me encontro e pelas experiências que vou tendo. Os erros, os insucessos e os sucessos dizem mais de mim que a introspeção. Para saber quem sou, devo observar a minha atuação, se estou ou não à altura do que se espera de mim. Só posso saber se tenho ou não um talento quando tento usá-lo na altura devida.
“Quem não arrisca não petisca” – não sei se tenho ou não um talento até ao dia em que sou confrontado por uma situação que o requer. Winston Churchill e o que representou para a Inglaterra na II Grande Guerra não podem ser entendidos sem ela. Foi a resposta deste homem ao desafio do momento, a II Guerra Mundial, que o fez grande. Os heróis, os santos fazem-se e conhecem-se quando são postos à prova, quando confrontados por grandes desafios.
Ferramentas de Autoconhecimento
Há teorias psicológicas que se fizeram muito populares e que podem ajudar as pessoas a conhecer-se melhor. Na linha da religião e mística temos o Eneagrama; na linha da psicologia existencial de Freud temos a Análise Transacional; na linha de Jung temos Myers/Briggs.
Conclusão
Autoconhecimento é um processo contínuo e nunca acabado de desvendar quem somos, harmonizando os nosso talentos e as nossas limitações, para viver com sentido, propósito e autenticidade.
Pe. Jorge Amaro, IMC
1 de junho de 2012
Autoconsciência
(…) E, caindo em si, disse: “Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Levantar-me-ei, irei ter com meu pai.” Lucas 15, 17-18
No momento em que o filho pródigo pediu ao pai a sua parte da herança, ele estava deslumbrado pela perspetiva dos prazeres que o aguardavam e, enquanto esses prazeres duraram, ele esteve fora de si. Frequentemente, o prazer torna as pessoas irrealistas e inconscientes, enquanto a dor tem o poder de trazê-las de volta à realidade, como ocorreu com esse jovem.
Da inconsciência à consciência
Antes do "Big Bang", há 15 mil milhões de anos, toda a matéria do cosmos existia sob a forma invisível de uma partícula subatómica extremamente densa e quente, que eventualmente explodiu, dando origem ao Universo em expansão. À medida que as temperaturas se suavizaram, os átomos, que compõem a matéria, começaram a se agrupar em moléculas cada vez mais complexas, as quais se uniram formando membranas que deram origem às células primitivas.
Todas as formas de vida na Terra – vírus, micróbios, bactérias, plantas, animais, e humanos – compartilham elementos comuns, pois procedem de um tronco comum. A célula é a forma mais simples de vida; os primeiros organismos formados na Terra foram unicelulares, como a ameba, que ainda hoje sobrevive nas águas contaminadas da África. A transição de organismos unicelulares para formas de vida mais complexas, compostas por múltiplas células, levou cerca de 3 bilhões de anos.
Como a vida procede de um tronco comum, podemos concluir que a ontogénese recapitula a filogénese, ou seja, o processo de desenvolvimento de um indivíduo da espécie humana, desde a sua conceção até à idade adulta, recapitula ou sintetiza a história da vida neste planeta. O nosso organismo em estado adulto é composto por uns 300 triliões de células; mas, no momento da nossa conceção, quando meia célula do nosso pai se une a meia célula da nossa mãe, somos uma única célula.
O que acontece a nível de um só indivíduo reproduz o que acontece a nível global; a vida que começou com uma única célula, ao longo de milhares de milhões de anos de evolução, diversificou-se em muitas espécies de seres vivos. Assim, desde o momento da nossa conceção até ao nosso nascimento, recapitula-se a evolução das espécies até chegar ao ser humano.
Desde o nascimento de um bebê até a idade adulta, revivemos a evolução humana que, há cinco milhões de anos, começou a se desviar dos primatas, seus ancestrais mais próximos. Assim como um bebê aprende primeiro a andar e depois a falar, a humanidade também evoluiu até alcançar a autoconsciência. No contexto da evolução, para Karl Marx, o Homem é o momento em que a Natureza ganha consciência de si mesma.
A autoconsciência é a capacidade para a introspeção, é debruçar-se sobre si próprio, reconhecendo-se como um indivíduo diferente e separado do meio ambiente e dos outros indivíduos. A autoconsciência é a subdivisão ou duplicação do indivíduo que se torna, ao mesmo tempo, sujeito e objeto dos próprios pensamentos.
Cogito ergo sum dizia Descartes, mas também se pode dizer senso ergo sum: sinto alegria ou tristeza, prazer ou dor, logo existo. A autoconsciência é o significado que atribuo às minhas vivências do dia-a-dia, no contexto geral do que é a minha vida para mim.
Alguém dizia que estamos acordados quando dormimos e dormimos quando estamos acordados. Temos consciência do que verdadeiramente somos durante o sono, nos sonhos. Os sonhos revelam a nossa verdadeira identidade, pois por muitas personagens que apareçam neles, estas não são mais que partes de nós mesmos.
Freud e toda a psicologia depois dele deram muita importância aos sonhos, pois neles está uma das chaves para a nossa verdadeira identidade. Quando estamos acordados usamos máscaras que não só velam a nossa identidade aos outros mas também a nós mesmos. Aliás, a palavra pessoa significa isso mesmo, máscara, personagens que representamos durante o dia.
Estar vivo não é igual a viver
Uma vida que não seja auto-reflexiva, não merece a pena ser vivida, Sócrates (469 AC)
No mesmo momento em que a criança, por volta dos 7 anos de idade, toma consciência de si mesma, de que existe, de que está viva, nesse mesmo momento se dá conta da sua finitude, de que não existirá sempre e de que um dia vai deixar de existir como existe agora. É a morte que dá sentido à vida; ou melhor dizendo, é a existência da morte que nos faz buscar um sentido para a vida.
Neste sentido não é o mesmo estar vivo e viver. Os animais estão vivos mas, como não sabem que um dia deixarão de existir, acabam por não saber também que existem, que estão vivos; como não sabem que estão vivos, não vivem. Não vivem porque não têm muito poder e controlo sobre a própria vida; obedecem cegamente ao seu instinto, pelo que são autómatos.
Somente os seres humanos realmente vivem, porque compreendem que, entre o presente de suas vidas e a morte certa, possuem tempo e energia para moldar o que desejam da sua existência.
Ser consciente é desligar o piloto automático
Com frequência, tranco o carro com o comando e depois de me afastar um pouco pergunto-me se verdadeiramente o fechei; na dúvida, volto ao carro e verifico que sim que o tinha fechado. Como este, todos temos automatismos, coisas que fazemos por rotina e das quais não temos consciência no momento em que as fazemos.
Mais vezes do que gostaríamos de admitir, temos o piloto automático ligado: o nosso comportamento é reativo, muito parecido com o dos animais; a um dado estímulo segue-se uma dada resposta, prevista e previsível. Quando nos comportamos como se estivéssemos em piloto automático, não temos consciência, não estamos em nós mas fora de nós.
O que dizemos ou fazemos não é fruto de uma decisão proativa depois de avaliar a realidade ou situação, mas de uma reação mais ou menos instintiva, pré-determinada, repetitiva e rotineira. Algo parecido com um reflexo, como quando involuntariamente retiro a mão de uma superfície quente para evitar queimá-la.
Ter consciência significa dar-se conta de tudo o que se passa dentro e fora de si.
Ter consciência significa estar instalado no presente, no aqui e agora.
Ter consciência significa ter a alma onde se tem o corpo.
Ter consciência significa auto observar-se.
Ter consciência é estar totalmente presente em cada um dos seus pensamentos, sensações, emoções e ações.
A oração é um exercício de autoconsciência
Quando o filho pródigo voltou a si, voltou ao Pai; enquanto esteve longe do Pai, também esteve longe de si mesmo; enquanto esteve fora da casa paterna, também esteve fora de si mesmo; enquanto esteve dissociado, divorciado, de costas para Deus, também esteve dissociado, divorciado e de costas para si mesmo.
Deus intimior intimo meo dizia Sto. Agostinho, Deus está mais além do meu íntimo, pelo que a oração não é só o encontro com Deus é também um encontro comigo mesmo; não é só um dialogar com Deus mas um dialogar comigo mesmo. A oração é, antes de tudo, um exercício de autoconsciência.
Os que rezam conhecem-se melhor do que aqueles que não rezam. Se Deus, como diz Santo Agostinho, está além de nosso íntimo, além de nós mesmos, não podemos chegar a Deus sem primeiro passar por nós; não podemos conhecer a Deus sem antes conhecer melhor a nós mesmos.
Conclusão
No passar de uma existência inconsciente para a profunda autoconsciência, percebemos que viver não é apenas existir; é moldar o nosso destino, tornando-nos o autor consciente da nossa própria história.
Pe. Jorge Amaro, IMC
15 de maio de 2012
Reiki e Cristianismo
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| Voluntários de Reiki - Cenif - Guimarães |
Se Eu expulso os demónios por Belzebu, por quem os expulsam, então, os vossos discípulos? Por isso, eles próprios serão os vossos juízes Mateus 12, 27
Reiki é a união de duas palavras japonesas: Rei, que significa universal, total ou essência; Ki, que significa energia vital. Criado por um budista Japonês, Mikao Usui, o Reiki é uma terapia natural, não invasiva, que visa restabelecer a saúde e o bem-estar espiritual e psicofísico da pessoa. Pela imposição de mãos, o terapeuta, ajuda o paciente a ganhar acesso à energia vital, universal e divina, que alivia o stress e acelera o processo de cura natural do corpo e da mente. O terapeuta é só um catalisador ou facilitador; sendo o paciente que se cura a si mesmo, ao conectar-se à energia vital divina e sanadora.
Em todas as curas milagrosas de Cristo a fé do requerente era uma condição "sine qua non". Também no Reiki é o paciente, por meio do terapeuta, que se conecta com a energia vital e sanadora de Deus. Esta fé é catalisadora da energia salvífica que imana de Deus como vemos no episódio da cura da mulher que padecida de hemorragias: ela tocou na orla do manto de Jesus, sem Este se dar contra, e ficou curada. (Lucas 8 43-48)
O pensamento contemporâneo já não explica a realidade com base na física mecanicista de Newton, mas sim com base na teoria da relatividade e na física quântica. No entanto, a maior parte dos pensadores cristãos, os teólogos, ainda tem a mente formatada pela física newtoniana, sendo esta no fundo, uma das razões pelas quais rejeitam o Reiki como técnica de cura física e psicológica.
Sendo a fé, como diz o Concilio Vaticano I, um “obséquio razoável” no quadro de uma física mecanicista de Newton, onde a realidade é governada por leis fixas inalteráveis, torna difícil explicar os milagres e curas de Jesus, a ressurreição de Cristo e subsequentemente a nossa. Estes mesmos mistérios têm uma explicação mais razoável se os explicarmos com base na teoria da relatividade, da física quântica e do princípio de Heisenberg, para os quais já não se fala de leis da natureza mas sim de probabilidades estatísticas, que comportam um alto grau de incerteza e imprevisibilidade. Para Einstein a energia e a matéria são transmutáveis e equivalentes; a energia é uma forma de matéria, e a matéria, uma forma de energia.
A mentalidade maniqueísta, que entende que na criação há coisas boas e coisas más e que advoga Deus como o senhor das boas e o diabo como o senhor das más, esquece que Deus criou tudo do nada e tudo o que Deus criou é bom. Tudo na natureza são manifestações da sua bondade e não há forças supernaturais que não sejam manifestações do poder de Deus.Cristo tem ovelhas de outro redil (João 10, 16) e basta que elas não estejam declaradamente contra nós para estarem a nosso favor. (Marcos 9, 40)
Também há quem relacione Reiki com New Age e que por isso deve ser condenado. A New Age é um sincretismo de religiões e por esse motivo não deve ser considerada totalmente negativa. Rejeitando a ideia de que Deus não é um ser pessoal mas sim uma energia, tudo o resto pode ser adaptado ao cristianismo. Acaso, nós cristãos, não construímos igrejas, onde antes eram templos pagãos? E não substituímos o culto a deusas pela veneração a Maria a mãe do Senhor? Quem não gosta das músicas de Enya e da magia dos livros de Paulo Coelho? E no entanto são New Age. “Não deitemos fora o menino com a água da banheira”.
O Reiki, tal como o Yoga, o Zen, a meditação transcendental e outras terapias orientais, não são uma religião nem sequer uma filosofia, mas sim técnicas de cura e crescimento espiritual. O Reiki não proclama que Deus é uma energia cósmica mas que, essa energia cósmica é divina. Também não diviniza o seu fundador Mikao Usui, apesar de ele se ter inspirado em Jesus e nas suas curas milagrosas pela imposição de mãos. A sua técnica é seguida, mas o seu nome não é invocado durante a terapia. Não existe nenhuma normativa no Reiki que proíba terapeutas cristãos de invocarem o nome de Jesus ou o Espirito Santo, para obter a graça da cura.
Tirei um curso residencial de psycho-spiritual counseling, com a duração de dois anos, num instituto católico em Inglaterra, fundado pelo Cardeal Hume de Londres. Durante esse tempo, formei-me em várias técnicas de cura, entre as quais Reiki,. Os meus mestres, sacerdotes como eu e algumas religiosas, não vemos nenhuma contradição entre a fé cristã e a prática de Reiki, pelo contrário, achamos que até se podem complementar.
1 de maio de 2012
"Átrio dos Gentios"
O Vaticano criou, um espaço para o diálogo entre crentes e não crentes, denominado “Pátio dos Gentios”. Este nome evoca o único lugar do templo de Jerusalém que podia ser frequentado por não judeus. Era, de facto, o local onde se compravam e vendiam os animais para os sacrifícios.
O Templo de Jerusalém estava dividido em átrios, que consistiam em rectângulos concêntricos, dispostos em função do nível “Sagrado”: desde o menos sagrado, o Pátio dos Gentios aberto a toda a gente, até ao mais sagrado, o Sancta Sanctorum. Seguindo esta escala, no primeiro entraria qualquer pessoa, no segundo só entrariam Judeus, no terceiro Varões, no quarto Sacerdotes e no quinto, unicamente, o “Santo dos Santos”, o Sumo-sacerdote.
Em concreto, o diálogo entre crentes e não crentes, ocorrido em Guimarães e Braga nos passados dias 16 e 17 de Novembro encheu-me as medidas; designá-lo “Átrio dos Gentios” faz sem dúvida sentido em termos históricos e metafóricos, mas não está imune à possibilidade de uma certa conotação pejorativa.
“Gentios” era o nome depreciativo que os Judeus davam aos não Judeus, havendo, até, Fariseus que, veementemente, acreditavam que Deus criou os gentios para alimentar o fogo do inferno (local onde iriam parar os “maus” Judeus). Nesta óptica, considero que, nos dias de hoje, chamar “gentios” aos “não crentes” é como chamar-lhes “infiéis”, nome que os muçulmanos dão a todos os que não professam a sua fé.
Quando eramos pequenos, se havia coisa que mais odiássemos era que os chamassem nomes; devemos evitar a tentação de apelidar os outros desde e em função da nossa cosmovisão – forma de ver e estar no mundo. Por esta mesma razão os Inuit do Norte do Canadá não gostam que lhes chamem Esquimós; esse é o nome que nós lhes damos não o nome com o qual se identificam. Duvido que os não crentes em geral ou os que simplesmente não professam a nossa fé, gostem de ser chamados “gentios”.
Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos. Isaías 25,6
Se tivesse que encontrar no Antigo Testamento um nome metafórico para este espaço de diálogo entre homens e mulheres de boa vontade, eu chamar-lhe-ia o Banquete de Isaías. Isaías é, sem duvida, o profeta menos nacionalista e o profeta mais universalista do Judaísmo, um autêntico “cristão” avant la letre.
15 de abril de 2012
Aldeia das Religiões - The Golden Rule
Para promover a tolerância e o diálogo inter-religioso, visando o fim das “guerras santas” e a paz no mundo, realizou-se na aldeia de Priscos, Braga, entre os dias 25 e 28 de Outubro, a segunda Aldeia das Religiões (a primeira foi realizada no Brasil, em 1992). “Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti” é a versão mais conhecida de uma regra que um missionário canadiano baptizou como sendo a regra de ouro porque, com poucas variações, existe em todas as religiões do nosso planeta. Cito algumas:
- Hinduísmo - Este é o supremo dever: não faças aos outros o que poderia causar dor se te fosse feito a ti. Mahabharata 5: 1517
- Budismo – No tratamento dos outros não uses maneiras que seriam dolorosas para ti. O Buda, Udana-Varga 5.1
- Confucionismo - Uma palavra que resume a base de toda a boa conduta: bondade. Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti mesmo. Confúcio Analectos 15:23
- Judaísmo - O que é odioso para ti, não o faças ao teu vizinho. Esta é a toda a Torá; tudo o resto é comentário. Vai e aprende-a. Rabino Hillel Talmud, 31
- Islão - Não te consideres crente enquanto não desejares aos outros o que desejas para ti. Profeta Muhammad, 13 de Hadiths 40 de Nawawi
- Cristianismo - Em tudo, faz aos outros, o que desejarias que os outros te fizessem a ti; esta é toda a lei e profetas. Mateus 7:12
Formulando a regra de ouro pela negativa estas religiões só nos dizem o que devemos evitar; enquanto o cristianismo na sua formulação positiva diz-nos o que devemos fazer. Apesar da formulação muçulmana ser também positiva (o que pode dever-se à inegável influência cristã nesta religião, que nasceu 600 anos depois de Cristo), esta expressa um desejo e não comanda uma ação. Não ultrapassa por isso o nível das boas intenções…
O que me faz bom não é o meu esforço para evitar o mal mas, sim, o meu esforço para fazer o bem. Enquanto as formulações negativas e a expressão de um desejo deixam-me no “dolce fare niente”, a formulação cristã, o mandamento de Cristo, tira-me da minha passividade, da minha inércia, da minha preguiça ou da minha zona de conforto, fazendo de mim um ativista pela justiça e pela paz.
1 de abril de 2012
"Terra, Sangue e Mortos"
O dizer isto não me faz suspeito de ser um desses clérigos que pensam que a expressão do amor e da gratidão à nossa Mãe do Céu nos faz menos Cristocêntricos. Rezo o terço todos os dias e sempre no fim da missa convido o povo, através de uma ave-maria, a agradecer àquela por quem nos veio o pão descido do Céu e a palavra incarnada de Deus, Cristo.
Já vivi e visitei muitos países do mundo católico e em nenhum povo vi um culto aos mortos como o dos Portugueses, tanto em Portugal como fora de Portugal, nas comunidades espalhadas pelo mundo inteiro. O nosso povo é tão generoso que, depois de mandar celebrar uma missa pelos seus entes queridos, acrescenta sempre mais uma missa pelas almas mais abandonadas do Purgatório - aquelas que não têm ninguém vivo que se lembre delas. Ao abolir este feriado não se estará a dar a Igreja um tiro no pé?
Fiéis defuntos e Todos os Santos que o feriado unia, por razões de conveniência do povo, são a expressão da Comunhão dos Santos expressa no Credo dos Apóstolos. Na minha terra, Loriga, e em muitas terras do nosso país, o povo expressa essa mesma Comunhão dos Santos na Romaria comunitária ao cemitério. Ir à terra pelos Santos é equiparado ao ir à terra pelo Natal e pela Páscoa.
A festa de Todos os Santos era a nossa festa… a única no calendário litúrgico que fazia jus e celebrava o esforço, não beatificado nem canonizado, de tantos cristãos que, no seu dia-a-dia, buscam configurar-se mais a Cristo respondendo ao apelo “sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste.” Mateus, 5, 48
No mundo civil em assuntos de interesse geral os governos consultam o povo em referendo; “Voz do povo, voz de Deus”. Celebramos este ano os 50 anos do Concílio Vaticano II: um concílio que fez da Igreja menos piramidal e mais circular; menos hierárquica e mais de comunhão, menos eclesiástica e mais popular. Não podia o povo ter sido consultado de alguma forma? Afinal, a festa de todos os santos e santas de Deus era o nosso equivalente à tumba do soldado desconhecido que todos os países têm e mantêm com orgulho.
15 de março de 2012
Riqueza que gera pobreza
Se a população mundial hoje 8 biliões de pessoas, consumisse, e poluísse tanto como os europeus americanos e o resto dos países ricos consomem e poluem, este nosso planeta só podia sustentar a nossa vida por 3 meses ou então precisaríamos dos recursos de 10 planetas como o nosso.
O nível de pobreza em que vive 80% da população não é justo nem é saudável; ainda há muita mortalidade infantil, ainda se morre de malária, de tuberculose, de lepra, febre tifoide e outras doenças infecciosas; doenças para as quais há muito tempo que há cura.
Por outro lado também não é justo nem é saudável o nível de vida de 20% da humanidade; é o nosso nível de vida que nos faz morrer de cancro, Alzheimer, Parkinson, Diabetes, doenças cardiovasculares e muitas outras
Uns morrem da pobreza e outros morrem da fartura. Não está o mundo globalizado? E não é a globalização algo assim como o princípio dos vasos comunicantes? – Duas tinas de água, uma meia cheia, outra meia vazia quando se comunicam ficam niveladas? Porque é que isto não acontece?
Porque o primeiro mundo aplicou ao canal de intercomunicação uma válvula para que o movimento se faça num só sentido….
Se nós descêssemos do nosso nível de vida e os pobres subissem, todos viviam melhor com mais justiça e saúde; nem eles morriam das doenças da pobreza nem nós das doenças da riqueza; mas como nós não queremos descer do nosso nível de vida então temos que arranjar mecanismos para que eles sejam sempre pobres. Morra Marta morra farta…
1 de março de 2012
Objectivo da Missão Itinerante
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| Paróquia: "Comunidade de Comunidades" Vat. II |
Na maior parte das paróquias – por serem grandes, frias e pouco acolhedoras - as pessoas não se conhecem nem se relacionam, pelo que cada vez menos se constituem como referenciais para crescer na fé.
Por esta razão muitos abandonaram a Igreja para se filiarem em igrejas protestantes mais pequenas ou mesmo seitas, sujeitando-se a pagar o dízimo, no sentido de obter um tratamento mais personalizado e menos massificado. Outros, ainda, para fazer face ao sentimento de “despersonalização” decorrente da massificação, refugiaram-se em determinados movimentos eclesiais que foram surgindo, para experienciarem a fé de uma forma mais pessoal e personalizada. Todos estes movimentos têm como ponto de referência a pequena comunidade cristã da qual alguns até se julgam inventores; esquecem-se que a Igreja dos primeiros séculos, antes do imperador Constantino, era uma igreja constituída por pequenas comunidades que se reuniam nas casas das pessoas.
Modelo e inspirador da Missão Itinerante é São Paulo: incansável evangelizador, ao espalhar a semente do Evangelho ia formando pequenas comunidades cristãs - em Corinto, em Tessalónica, em Éfeso, etc. Este modelo foi seguido por nós, Missionários, em África com as Small Christian Comunities e na América Latina com as Comunidades de Base.
É este então o objectivo da Missão Itinerante: ajudar as paróquias, circundadas de paganismo, a alastrar a fé até ao limite das suas fronteiras. Como? Através de ações de rua, nos centros comerciais, nos centros culturais, ou de dois em dois e de porta em porta com vistas a formar, neste e naquele bairro, uma pequena comunidade cristã!
Esta “pequena comunidade cristã” reúne semanal ou quinzenalmente, uma vez em casa de fulano, outra vez em casa de sicrano e, assim, sucessivamente. Partindo da Palavra de Deus, os membros partilham a vida num contexto de oração e, quase, de grupo de suporte/terapêutico. Ao Domingo todas as pequenas comunidades cristãs de uma paroquia se reúnem na Igreja para celebrar o dia do Senhor. Esta celebração, sim, é uma verdadeira celebração da vida e de vida porque esta paróquia, agora, é uma “Comunidade de comunidades”, como idealizava o Vaticano II há 50 anos.
Pronto para ajudar, aqui fica o apelo: há algum pároco que, sendo Bom Pastor, queira sair em busca da ovelha perdida que vive, algures, no espaço geográfico da sua paróquia?
1 de fevereiro de 2012
Animação Missionária ou Missão?
Ainda mantendo uma cosmovisão cristã a Europa já não é cristã. Para ser missionário é preciso ser crente; não se pode fazer Animação Missionaria entre os não crentes; entre os não crentes o que se faz é Missão.
Ninguém dá o que não tem; não podemos exortar a partilhar a fé, a ser missionário, a quem não acredita, ou duvida ou tem uma fé débil. Por isso aqui e agora a melhor maneira de fazer Animação Missionaria é fazer Missão, e o melhor testemunho missionário é ser aqui e agora o que fomos antes lá longe. Alguém dizia que a melhor forma de honrar um pai é ser um bom pai.
Diminuíram os fiéis e diminuíram ainda mais os sacerdotes mas não diminuíram os lugares de culto. Os poucos pastores de agora acumulam várias paróquias e estão absorvidos numa pastoral de manutenção de um rebanho pequeno e disperso. Face a este problema, muitos membros de Institutos missionários Ad Gentes, trocaram as redes pelo cajado.
É a pastorear as poucas ovelhas que quedam que preenchemos o vazio das muitas que abandonaram o rebanho? Os que somos pescadores devemos adaptar os anzóis, redes e técnicas de pesca à nova situação não mudar de profissão; não podemos deixar de ser o que somos por vocação. Mas se tivéssemos que ser pastores ao menos deveríamos ser Bons Pastores, e o bom pastor parece-se ao pescador pois é o que deixa as 99 para ir em busca da ovelha perdida.
15 de janeiro de 2012
Cabeçalho da Missão Itinerante
O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar
a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos
e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os
oprimidos. Lucas 4,18A Pomba – Representa, como é óbvio, o Espírito Santo. A missão é trinitária porque começou com Deus Pai ao enviar o seu filho e é continuada no “aqui agora” da humanidade pelo Espírito Santo que é quem anima, inspira, dá força e coragem ao Corpo Místico de Cristo que é a Igreja. O Autor e Proprietário desta empresa, a Missão, é sempre Deus.
Os arautos - Sem duas túnicas, pão, dinheiro e alforge como requer Jesus em Mateus (10, 10) e Lucas (9, 3) mas, à diferença destes, com cajado e sandálias como requer Jesus em Marcos (6, 8-9) para facilitar o caminho e poderem ir mais depressa.
A cidade – É onde a maior parte da população mundial vive hoje; centro do poder e do governo até dos que ali não vivem. Para melhor difundir a Boa Nova, Pedro e Paulo assentaram arraiais em Roma; os apóstolos da actualidade também devem levar o sal e a luz do evangelho aos centros do poder e decisão do mundo de hoje.
O círio pascal - É o “i” de Missão e o “i” de itinerante. Representa a notícia de que os arautos são portadores; a fé em Cristo morto e Ressuscitado; Alfa e Ómega, principio e fim do Universo; caminho verdade e vida; a resposta mais razoável e convincente às perguntas que toda a pessoa que vem a este mundo se faz: De onde venho? Para onde vou? Que sentido tem a vida? Os que dizem que vêm do nada e vão para o nada que resposta podem dar à terceira pergunta?
“Ide primeiro às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mateus 10, 6) - A Europa era toda cristã quando extravasou o evangelho para os outros continentes; hoje não só não o é como até renega as suas raízes cristãs. Re-evangelizar a Cultura ocidental, que continua a exercer poder e influencia sobre o mundo, é certamente uma forma de Missão Ad gentes.
Pe. Jorge Amaro, IMC
1 de janeiro de 2012
Em busca da ovelha perdida
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| Ovelha zangada com a Igreja |
Os primeiros a visitar o menino Jesus foram os pastores; no entanto para continuadores da sua obra Jesus escolheu pescadores de peixes para que, sem perderem as suas técnicas, apenas mudando de ramo, se transformassem em pescadores de homens.
Estes pescadores em 300 anos converteram metade da população do mundo; pelo que agora eram preciso pastores para guiar e governar este rebanho que se pensava que iria sempre aumentando porque as ovelhas se reproduziam para dentro; o caso é que desde há muito as ovelhas se reproduzem para fora do rebanho e se perdem.
O Bom Pastor é o que deixa as 99 e vai em busca da ovelha perdida. Ou, como alguém diz com ironia referindo-se à situação actual, deixar uma para ir em busca das 99. Buscar a ovelha ou ovelhas perdidas suponho que é o que se entende por nova evangelização que, a meu ver, ainda não passou de ser um discurso de boas intenções a nível de sínodos, congressos e palestras pois pouco se vê a nível de ideias operativas e realizações concretas.
Nos anos após o concilio, ainda o problema da dissidência não era tão candente, e para fazer-lhe frente nasceram as missões populares, os cursilhos de cristandade o movimento por um mundo melhor etc.… Agora o abandono da fé e pratica religiosa é bem mais grave e generalizado como lhe fazemos frente?
Este blogue pretende ser um espaço de reflexão e partilha de experiências em torno ao tema da fé da nova evangelização ou evangelização nova, como preferia o cardial Martini, em definitiva o que fazer para trazer de volta a ovelha perdida.







