1 de janeiro de 2020

3 Civilizações baseadas em 3 cereais: Trigo - Arroz - Milho

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O cereal é uma planta da família da erva que produz grãos que, depois de moídos, resultam em farinha que se consome de muitas formas, sendo o pão a mais comum. Desde que foram descobertos, os cereais têm sido não só a base da nossa alimentação como também o sustento de culturas ou civilizações ao longo da História.

As grandes civilizações nasceram nas zonas mais férteis do planeta, onde se cultivavam cereais. Podemos identificar uma cultura pelo tipo de cereal que esse povo produzia e consumia. A cultura depende da agricultura.

Os cereais mais conhecidos a nível mundial são o trigo, o arroz, o milho, a cevada, a aveia, o centeio e o milho painço. Destes, os mais antigos e usados, a ponto de configurarem culturas e civilizações, são os primeiros três.

O trigo, cujo nome científico é Triticum, provém do sudeste da Turquia e foi o primeiro cereal a ser descoberto; o seu cultivo no Crescente Fértil, zona do Médio Oriente que abarca atualmente o Iraque, Israel, o Egito, a Jordânia, a Síria, o Líbano, o sudoeste da Turquia, o Oeste do Irão e a ilha de Chipre, fez nascer nesta zona a mais antiga civilização humana, o berço dos primeiros grandes impérios e da civilização ocidental.

O arroz, cujo nome científico é Oryza Sativa, provém da China e da Índia e estendeu-se rapidamente por toda a Ásia Meridional como alimento básico, sendo responsável pelas grandes civilizações asiáticas: Índia, China e Japão.

O milho, cujo nome científico é Zea Mays, provém da América Central, mais propriamente do sul do México e é responsável pelas únicas civilizações do novo continente: maias, astecas e incas.

Agricultura, pastorícia e emancipação do Homem
Abençoando-os, Deus disse-lhes: «Crescei, multiplicai--vos, enchei e submetei a terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se movem na terra.» Deus disse: «Também vos dou todas as ervas com semente que existem à superfície da terra, assim como todas as árvores de fruto com semente, para que vos sirvam de alimento. Génesis 1, 28-29

Enquanto o Homem caçava, pescava e colhia frutos, vivia em simbiose com a natureza e à sua mercê. Não era, portanto, diferente dos outros animais: os ursos, por exemplo, são omnívoros como nós e por isso caçam, pescam e colhem frutos. A vida humana, como a vida animal, não era mais que uma luta pela sobrevivência - as 24 horas do dia eram gastas a buscar alimento para sobreviver e viver era sinónimo de manter-se vivo.

Como os varões tinham mais destreza física, eram eles que se dedicavam à caça, à pesca e à recoleção de frutos, o que os mantinha fora de casa e sempre em movimento. As mulheres fixavam-se mais na residência e dedicavam-se à preparação dos alimentos, sobretudo depois da descoberta do fogo. Além disso, asseguravam o futuro do clã ou da tribo, através do nascimento, criação e educação da prole.

A caça e a pesca eram atividades duras que envolviam um certo risco, pelo que os varões usavam muito mais o seu cérebro reptiliano, comum a todos os animais vertebrados. Como sabemos, este cérebro aciona apenas três funções: atacar, fugir ou esconder-se. A preparação dos utensílios, armas e armadilhas e o constante movimento de um lado para o outro preenchiam o tempo dos homens.

Ao contrário dos homens, as mulheres preocupavam-se menos com a segurança e dedicavam-se mais ao trabalho doméstico e à criação e educação da prole. Por isso, usavam menos o cérebro reptiliano e mais o cérebro mamífero e o neocórtex, motivo pelo qual o seu pensamento era mais reflexivo. Por esta razão, por serem mais sedentárias e por possuírem mais tempo livre, pensa-se que tenham sido elas a descobrir a agricultura ao experimentarem usar as sementes nos terrenos circundantes da casa.

Rei da agricultura: o cereal
Enquanto a agricultura se limitou ao cultivo de vegetais e frutos, a vida do Homem pouco se alterou continuou a ser caçador e coletor, só que agora colhia os produtos que ele próprio semeava e plantava. Como estes vegetais que agora produzia eram os mesmos que antes coletava, não se verificou qualquer alteração significativa na sua cultura ou modus vivendi, por não haver uma alteração substancial na sua dieta.

A grande revolução da agricultura veio com a descoberta dos cereais. A partir desse momento, as suas características e propriedades rapidamente fizeram com que a agricultura fosse quase exclusivamente cerealífera. Ainda hoje, os cereais são o produto agrícola mais cultivado em todo o mundo; de facto, a deusa da agricultura e das colheitas na mitologia romana chamava-se Ceres, de onde provém a palavra cereal. A revolução agrícola dos anos 60, apelidada de “verde”, foi exclusivamente uma revolução cerealífera, pois visava aumentar a produção de cereais pelo uso de novas sementes e novas técnicas, sobretudo fertilizantes.

Dentro da espécie dos mamíferos, o Homem não é herbívoro nem carnívoro, mas sim omnívoro, ou seja, deve ter uma alimentação variada. Por isso, de alguma forma, quando o Homem descobriu o cereal, descobriu parte da sua identidade; todas as pirâmides alimentares da dieta ideal para o ser humano colocam os cereis na base. Em proporção, uma dieta equilibrada deve ser constituída por 30% de cereais, 25% de vegetais e frutas, 20% de peixe, marisco e laticínios, 15% de carne e 10% de lípidos.

O cereal é a base da alimentação e da cultura
Havia um homem rico, a quem as terras deram uma grande colheita. E pôs-se a discorrer, dizendo consigo: “Que hei-de fazer, uma vez que não tenho onde guardar a minha colheita?” Depois continuou: “Já sei o que vou fazer: deito abaixo os meus celeiros, construo uns maiores e guardarei lá o meu trigo e todos os meus bens. Depois, direi a mim mesmo: Tens muitos bens em depósito para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te.” Lucas 12, 16-19

São fundamentalmente três as razões pelas quais o cereal, desde que foi descoberto, se transformou no rei da agricultura, base da alimentação humana e, por afinidade, também na base das grandes civilizações que ao longo da História da humanidade se desenvolveram no nosso planeta.

Os cereais são um alimento de longa duração
Como sugere o texto bíblico acima citado, ao contrário das raízes, tubérculos e outros vegetais e frutos, os cereais têm um prazo de validade muito grande e armazenam-se facilmente. Foram encontrados grãos de trigo no túmulo de Tutankhamon, faraó do Egito, que ainda estavam em bom estado de conservação apesar de terem 5000 anos. Na verdade, foram semeados e germinaram.

Antigamente, quando não existiam frigoríficos, outros tipos de alimentos como os ovos conservavam-se no meio do cereal que os mantinha a uma temperatura baixa. A conservação do próprio cereal não requer uma temperatura baixa; este conserva-se em qualquer temperatura. O único requisito para a conservação do cereal é a humidade que tem de ser baixa; quanto mais reduzida for, mais tempo o produto se conserva.

Esta característica é a que verdadeiramente emancipa o homem da Natureza, pois ao ter alimentos armazenados, não tem de ocupar todos os dias com a busca de alimento. O tempo livre que lhe resta pode dedicá-lo ao pensamento reflexivo, criador e científico. O cereal funciona com uma apólice de seguro que confere estabilidade a uma sociedade. Podemos afirmar que onde não houve cereais não houve civilização, cultura, desenvolvimento; as povoações permaneceram primitivas numa luta constante pela sobrevivência.

José disse ao faraó: «(…) vão chegar sete anos de grande abundância a todo o território do Egito. Mas sete anos de fome surgirão a seguir, de modo que toda a abundância desaparecerá do Egito e a fome devastará o país. (…) que se armazene trigo sob a autoridade do faraó, nas cidades, como reserva de víveres. Essas provisões serão um recurso para o país durante os sete anos de fome que vão chegar ao Egito, a fim de que o país não pereça pela fome.» Génesis 41, 25, 29-30, 35-36

José do Egito interpreta o famoso sonho do faraó das sete vacas gordas e das sete vacas magras como representando sete anos de fartura, seguidos por sete anos de carência, e aconselha-o a armazenar cereal durante os anos de abundância para evitar que o povo pereça nos anos seguintes de carência. A longevidade do cereal faz dele o único salvador da humanidade em tempos de fome.

O mesmo já não se pode dizer de outros alimentos, como por exemplo a batata, que só dura um ano. Se uma colheita falhar, toda uma população pode morrer de fome, como aconteceu na Irlanda entre os anos 1845 e 1852; morreram um milhão de irlandeses e outro milhão foi obrigado a emigrar.

Os cereais são absorvidos lentamente e dão energia por mais tempo
A durabilidade ou longevidade do cereal armazenado também se observa, de alguma forma, no interior do nosso corpo, em relação à sua absorção como hidrato de carbono. Os hidratos de carbono provenientes da fruta e dos demais vegetais são rapidamente absorvidos e aumentam exponencialmente os níveis de açúcar no corpo; a sua longevidade é curta, pois rapidamente se queimam. Pelo contrário, os hidratos de carbono provenientes dos cereais integrais, têm uma absorção lenta, o que faz com que os níveis de açúcar não aumentem nem diminuam drasticamente; deste modo, o nível de energia no corpo mantém-se constante, estável, seguro e saudável por mais tempo.

Os cereais mantêm o corpo saciado durante mais tempo e evitam desequilíbrios súbitos nos níveis de glicose, diminuindo a ânsia de comer mais frequentemente. Ou seja, a longevidade do cereal que se verifica no celeiro, também se verifica no nosso organismo.

Os cereais ingeridos funcionam como um depósito de combustível que vai fornecendo paulatinamente energia por muito tempo, sem grande variação dos níveis de glicose. A liberdade, autonomia e tempo livre que o cereal proporcionou à humanidade para poder dedicar-se a outras atividades para além da luta pela sobrevivência, também a proporciona a nível individual a cada pessoa que o ingere.

Os cereais são o alimento simples mais completo
Se tivéssemos que escolher um único alimento, muito completo do ponto de vista nutritivo, para subsistir durante algum tempo, na eventualidade de ficarmos temporariamente privados de alimento, é certo que esse alimento só poderia ser o cereal.

Os cereais têm de tudo um pouco. Os outros alimentos estão mais especializados num nutriente ou outro, em detrimento dos restantes nutrientes. Os vegetais e frutas têm vitaminas, mas não têm proteínas e, como vimos, são de absorção rápida, não sendo por isso uma boa escolha em caso de emergência. As carnes e peixes são ricos em proteínas, mas falta-lhes tudo o resto.

Curiosamente, quando tratamos de dissecar e analisar um grão de cereal, damo-nos conta de que, tal como o universo, o átomo e a célula, também são trinitários ou tridimensionais, ou seja, são compostos por três diferentes elementos. Além disso, dentro destas três partes, encontramos diferentes nutrientes.
  • Farelo ou casca – fibras, vitaminas do grupo B, minerais (sódio, potássio, cloro, fósforo, cálcio, magnésio, enxofre e ferro), proteínas (gliadina e glutenina contidas no glúten) e fito-nutrientes (carotenoides, flavonoides e fito-esteróis, químicos conhecidos pelas suas propriedades antioxidantes).
  • Endosperma – hidratos de carbono ou amido que correspondem a 78 - 83% do grão, proteínas, vitaminas do grupo B, gorduras constituídas principalmente por trigliceróis. 
  • Gérmen - minerais, vitaminas do grupo B em especial B1 e B2, vitamina E, e fito-nutrientes.
Escusado será dizer que quando os cereais são moídos e sobretudo refinados, muitos destes nutrientes se perdem com a remoção do farelo, e acabamos por consumir apenas o endosperma, ou o amido. Por isso para uma alimentação saudável é preferível consumir cereais integrais pois contêm todos os nutrientes acima assinalados.

Cronologia das civilizações antigas

Mesopotâmia
Período: 3500 BC–500 BC
Local: Tigris and Euphrates rivers, Iraq, Syria, and Turkey

Vale do Indo
Período: 3300 BC–1900 BC
Local: Rio Indo Nordeste do Afeganistão to Paquistão e noroeste da India

Egipto
Período: 3150 BC–30 BC
Local: Rio Nilo, Egipto

Maias
Período: 2600 BC–900 AD
Local: Península do Iucatão

China
Período: 1600 BC–1046 BC
Local: Rios amarelo e azul

Império Grego
Período: 2700 BC–146 BC
Local: Desde a Grécia ate à França e o Norte de Africa

Império Persa
Período: 550 BC–331 BC
Local: Egipto, Turquia, Mesopotâmia e vale do Indo

Império Romano
Período: 550 BC–465 AD
Local: Todos os países da ribeira norte e sul do mar mediterrâneo

Astecas
Período: 1345 AD–1521 AD
Local: centro e sul do México

Incas
Período: 1438 AD–1532 AD
Local: Equador, Peru e Chile

O trigo e as civilizações do Crescente Fértil
O Crescente Fértil não está muito longe do berço da humanidade e possui um clima ameno e quase primaveril durante todo o ano. Como já dissemos, aqui nasceu o rei dos cereais, o trigo que é o cereal mais antigo e continua ainda a ser o cereal mais usado por ser o mais versátil. Quando se fala em pão, normalmente referimo-nos a farinha de trigo amassada com fermento e cozida num forno.

Com o descobrimento da agricultura, o Homem tornou-se cada vez mais sedentário, estabelecendo-se nas margens dos grandes rios, não só por causa da água para beber e para a agricultura, mas também porque os terrenos mais férteis do mundo são sempre as bacias dos rios. As inundações periódicas das terras ribeirinhas fecundam o solo pelo fenómeno conhecido como sedimentação das matérias orgânicas que o rio transporta. As primeiras cidades formaram-se na margem dos grandes rios.

Trigo – Jordão – Jericó - Eucaristia
No caso do Crescente Fértil, estamos a falar do rio Jordão, do Tigre, do Eufrates e do Nilo. Curiosamente, a cidade mais antiga do mundo é Jericó (9 600 A.C.) nas margens do rio Jordão que faz parte do vale de Rift, onde também nasceu a humanidade. Também é curioso que o cultivo do trigo tenha começado mais ou menos por esta época, há 9 000 anos.

Não é de admirar que tenha sido este o cereal que Jesus escolheu para instituir a eucaristia memorial da sua presença no meio dos homens: Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e, abençoando-o, o partiu e deu-lho, dizendo: «Tomai: isto é o meu corpo.» (Marcos 14, 22). 

Para além de ser a matéria da eucaristia, memorial da sua morte, Jesus utilizou o trigo como metáfora para explicar e dar sentido à sua morte: «se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.» (João 12, 24)

Outros cereais
Para além do trigo, que era mais usado para o consumo humano, as civilizações do Crescente Fértil contavam com outros cereais que continuam ainda hoje a fazer parte da lista dos mais usados em todo o planeta: o centeio, a aveia e a cevada. À exceção da cevada que também era usada como pão dos pobres, tal como testemunha o evangelho de São João (6, 9), estes cereais eram mais usados para a criação de animais e para a produção de bebidas fermentadas, como a cerveja de cevada.

Suméria, Assíria, Egito, Babilónia, império persa, império grego, império romano, civilizações, culturas, desenvolvimento filosófico, científico - o Crescente Fértil é não só o berço das primeiras civilizações, como também o berço da civilização ocidental.

O arroz e as civilizações da Ásia
As civilizações baseadas no cultivo do arroz são quase tão antigas como as baseadas no cultivo do trigo, no Crescente Fértil, com alguns séculos de diferença relativamente a alguns avanços tecnológicos, como o conhecimento dos metais. Porém, podemos dizer que estas civilizações acompanharam em grande medida o Crescente Fértil a par e passo e, em certos avanços tecnológicos, até o superaram, como aconteceu com a invenção do papel e da pólvora.

Enquanto que no Crescente Fértil e devido à facilidade de comunicação, as culturas, civilizações e povos se foram sobrepondo uns aos outros ao longo do tempo, na Ásia houve dois focos diferentes de cultura e civilização – a Índia e a China - separados e isolados pelos Himalaias e por muitos quilómetros de distância. 

O cultivo do arroz surge do aproveitamento das inundações periódicas dos rios e dos pequenos lagos e pântanos que estas criavam. Esta água acumulada nos campos mantinha-os bem adubados, removia o sal, impedia o crescimento de ervas daninhas e mantinha a temperatura constante pela retenção do calor; sobretudo, impedia a geada causada pelo arrefecimento noturno.

Mais que o trigo, o arroz necessita da presença constante de água. Por isso, podemos falar de duas culturas asiáticas distintas: a que nasceu na bacia do rio Indo, no Noroeste da Índia, e a que nasceu na China oriental, nas margens dos rios Yang-Tsé (Rio Azul) e Huang-Ho (Rio Amarelo).

A civilização do vale do rio Indo
Também conhecida como civilização de Harappan, começou há 5 300 anos, com o aparecimento de aldeias neolíticas. Floresceu em áreas que atualmente se estendem do Afeganistão ao Paquistão e Índia e teve o seu apogeu por volta do ano 3 000 A.C. Esta civilização é a terceira civilização mais antiga do mundo depois da Mesopotâmia e da civilização egípcia, e a primeira da Ásia. Tal como as civilizações do Crescente Fértil, é também uma civilização fluvial que nasceu na bacia do rio Indo. Era sobretudo uma civilização urbana muito avançada tecnologicamente; as cidades não nasceram e cresceram naturalmente, mas foram previamente e planeadas e projetadas arquitetonicamente.

A civilização chinesa
A civilização chinesa é, como dissemos, uma das mais antigas que se conhecem, quase tão antiga como as que existiram no Egito e na Mesopotâmia. Pensa-se que em 6 500 A.C. já se cultivava o arroz no rio Yangtze. Enquanto que no Crescente Fértil os impérios se sucediam, no leste asiático o desenvolvimento histórico parece ter sido mais linear. Mas, não podemos esquecer que não existe um só povo chinês, existem várias etnias que se influenciaram e guerrearam e que se sucederam nas rédeas do poder, criando várias dinastias.

Assim como a cultura grega serviu de modelo e inspiração para diversos povos do Ocidente, a cultura chinesa influenciou o desenvolvimento cultural de diversos países vizinhos, de entre os quais, o Japão e a Coreia. A China, como as civilizações mesopotâmicas e egípcia, também se formou nas margens de grandes rios: Huang-Ho (Rio Amarelo) e Yang-Tsé (Rio Azul). Por causa disso, a economia chinesa baseava-se na agricultura de irrigação e no trabalho dos camponeses em regime de servidão coletiva.

O milho e as civilizações da América Central e Sul
Originário do México, o milho (Zea Mayz) que significa o “grão da vida”, foi de facto o alimento vital dos maias, astecas e incas, povos que habitaram o sul do México, a América central e a América do Sul. A existência do milho e destas civilizações a ele associadas é a prova mais evidente e contundente da nossa tese: onde não houve um cereal não houve cultura.

Pelo cultivo dos cereais, o Homem emancipou-se da Natureza, colocando-a ao seu serviço. Os povos indígenas que não cultivaram qualquer cereal não desenvolveram uma cultura nem criaram uma civilização porque a sua vida não passou de uma luta constante pela sobrevivência.

Tantos os indígenas da América do Norte (Canadá e Estados Unidos) como os restantes da América do Sul (Brasil, Colômbia e Argentina) não desenvolveram uma civilização porque não conheceram nem cultivaram qualquer cereal.

A civilização maia
É a primeira civilização das Américas. O povo maia viveu desde 1 200 até 250 A.C., tendo sido contemporâneo da dinastia chinesa Shang. O povo maia vivia da agricultura em aldeias na Península do Iucatão, no atual México e nas áreas agora ocupadas pela Guatemala, Salvador, Belize e Honduras. 

No seu auge, chegaram a ser uma civilização muito complexa, com uma população de cerca de 19 milhões de pessoas. Os maias desenvolveram o seu próprio método de escrita por volta de 700 A.C. Eram dotados astrónomos, especializados na análise do movimento celeste e no cálculo de datas; ficaram mundialmente conhecidos pela criação de um misterioso calendário solar em pedra malaquita que ainda hoje desperta a curiosidade de muitos.

O desaparecimento desta cultura é ainda hoje um mistério por desvendar: não foram conquistados por nenhum outro povo, muito menos pelos espanhóis. Quando estes chegaram à América, os maias já tinham abandonado as suas pirâmides, templos, fortalezas e lugares de culto. Como testemunho da sua cultura, estes templos, fortalezas e pirâmides estão ainda bem conservados, sobretudo a pirâmide de Chichen Itza.

O império asteca
Os astecas são praticamente contemporâneos aos incas. Este povo habitou o sul do México e chegou a estender-se até à América Central. Bastante mais agressivos e menos cultos que os maias, ficaram conhecidos pelos sacrifícios humanos que ofereciam aos seus deuses. A sua ascensão coincidiu com o declínio dos maias; por volta de 1 500, os astecas estavam no seu auge e, precisamente por isso, foram brutalmente conquistados e dominados pelos conquistadores espanhóis (Hernan Cortés 1485-1547).

O império inca
O império inca cresceu e tornou-se no maior império da América do Sul durante a época pré-colombiana. A civilização floresceu entre 1438 AD e 1532 D.C. em torno do atual Peru, Equador e Chile. A capital administrativa situava-se em Cusco, atualmente Peru. Os incas eram dedicados ao Deus Sol e tinha um rei chamado "Sapa Inca" (filho do sol).

Os incas, tal como os maias e os astecas, foram também grandes construtores de fortalezas e locais como Machu Picchu e Cusco que permanecem até hoje. Tal como os astecas, os incas foram dominados pelos conquistadores espanhóis, (Francisco Pizarro 1532-1541).
Pe. Jorge Amaro, IMC














15 de dezembro de 2019

3 Grupos étnicos - Negroide - Caucasoide - Mongoloide

1 comentário:
Estamos cientes de que os adjetivos, negroide, caucasoide e mongoloide têm hoje más conotações. A palavra negroide tem fortes conotações racistas de depreciação do povo africano; a palavra caucasoide tem conotações racistas de sobrevalorização dos europeus, usada pela néscia dita supremacia da raça branca; por fim, o termo mongoloide, mesmo aludindo ao povo de um país, também é usado para referir os humanos nascidos com a síndrome de Down.

A antropologia moderna já não divide os seres humanos em 4 raças, tal como estudámos na escola: raça preta, branca, amarela e vermelha. O termo “raça” deixou de usar-se para diferenciar grupos humanos e só se usa para diferenciar a raça humana do resto dos seres vivos que habitam este planeta. Hoje, a maior parte dos antropólogos usa o termo “grupo étnico” em vez de “raça” e divide a raça humana em três grandes grupos étnicos: negroide, caucasoide, mongoloide. Há também quem junte australoide para os habitantes da Oceânia, mas nós achamos que estes são já um subgrupo.

Mesmo correndo o risco de sermos mal interpretados, usaremos estes termos no sentido original, sem nenhuma conotação racista, pois este texto quer provar precisamente que a raça humana teve um berço comum em África e que as diferenças fisiológicas que hoje exibimos advêm da longa adaptação aos diferentes meios ambientes para onde a única raça humana imigrou.

O Vale de Rift, berço da humanidade e do seu Salvador
Um vale é uma depressão da terra rodeada por montanhas ou colinas. Há vales formados pelo curso dos rios, que escavaram a terra ao longo de milhares ou milhões de anos, como é o caso do Grande Canyon, nos E.U.A.

As primeiras grandes civilizações que o mundo conheceu, formaram-se nas margens de grandes rios: - o Egito, nas margens do rio Nilo; a Mesopotâmia, terra entre os rios Tigre e Eufrates; a civilização hindu ou védica, nas margens do rio Ganges e a chinesa, nas margens do rio Amarelo (Huang He); Maias, Astecas e Incas na América central. Estes rios forneciam não só uma constante e inesgotável fonte de água para beber, como também alimento sob a forma de peixe, água para a agricultura e enriqueciam com os seus sedimentos as terras por onde passavam - as terras mais férteis do nosso planeta são de facto as dos vales atravessados por grandes rios. Os rios também eram vias de comunicação entre povos e facilitavam o comércio.

Outros formam-se pelo lento movimento dos glaciares que rasgam a terra em forma de U, e ainda outros que se formam quando duas placas tectónicas adjacentes se separam criando uma fenda entre elas; a terra que fica por cima dessa fenda colapsa e afunda-se. Quando a placa arábica se separou da placa africana, formou-se o Vale de Rift, o mais extenso e profundo do planeta. De facto, em cada lado do Vale de Rift não se encontram montanhas, como acontece nos vales formados por rios e glaciares, mas sim planaltos.

Começa na nascente do rio Jordão, em Israel, entre o Líbano e a Síria, forma o vale do rio Jordão até ao mar da Galileia, continua no vale do Jordão até ao Mar Morto, depois deste até ao golfo de Aqaba no Mar Vermelho, prossegue a sul até entrar em África pela Eritreia, Etiópia, Quénia, Tanzânia, e acaba ao meio de Moçambique no oceano Índico, depois de percorrer mais de 3 000 quilómetros e descer até 500 metros a baixo do nível do mar.

O vale de Rift é uma cadeia de grandes lagos como o lago Vitória onde nasce o Rio Nilo, Tanganica, Turkana, Niassa e tantos outros lagos e rios mais pequenos; é conhecido pelo clima primaveril durante todo o ano e pela terra fértil. A biodiversidade no Vale de Rift é muito superior ao resto da África sendo uma das zonas de mais biodiversidade do mundo.

Aqui também nasceu e se desenvolveu a humanidade, no período Paleolítico. Aqui também nasceu o Salvador da humanidade e, precisamente nas nascentes do Rio Jordão, em Cesareia de Filipo, o apóstolo Pedro reconheceu em Jesus algo mais que um profeta - o messias, o filho de Deus. (Marcos 8, 27-30). Quando nasce a panela nasce o testo para ela: a panela é a humanidade, o testo é Jesus, Caminho, Verdade e Vida para essa humanidade.

De primata a ser humano
Sede férteis e multiplicai-vos! Povoai e dominai toda a terra; Génesis 1, 28
Há 66 milhões de anos, um meteorito de 10 Km de diâmetro chocou contra o nosso planeta e provocou uma noite invernal de vários anos, na qual morreram 75% dos seres vivos da Terra, entre eles os dinossauros. Salvaram-se os pequenos roedores porque viviam debaixo do solo e conseguiam hibernar durante muito tempo.

Passados muitos anos, quando as condições de vida se tornaram outra vez favoráveis, estes roedores evoluíram até aos orangotangos que viviam nas árvores para se protegerem e terem comida, e destes até aos macacos, chimpanzés, gorilas e primatas. Os chimpanzés, os bonobos (ou chimpanzés-pigmeus) e os seres humanos descendem de um primata que viveu há 6 milhões de anos. Deste primata originou-se um ramo que são os humanos e outro que são os chimpanzés; deste último saíram ainda os chimpanzés de hoje e os bonobos.

Por isso o magistério da Igreja não proíbe que nas investigações e disputas entre homens doutos de ambos os campos se trate da doutrina do evolucionismo, que busca a origem do corpo humano em matéria viva preexistente pois a fé nos obriga a reter que as almas são diretamente criadas por Deus.
Pio XII Humane Generis, 36

Como diz a Humane Generis, o livro do Génesis não contradiz a teoria da evolução. O Génesis diz a verdade da fé, não a verdade da ciência. Que os seres humanos evoluíram a partir de outros seres vivos e que a vida no planeta vem de um tronco comum não é problema para a nossa fé, desde que se reconheça que Deus Criador de tudo e de todos deu o pontapé de saída ao criar a vida que já sabia que desembocaria no ser humano. A ciência não sabe explicar de facto em termos científicos como passámos de macaco a ser humano.

Como o elo entre nós e os macacos ainda não foi encontrado, ninguém sabe como ou porquê os humanos evoluíram e os nossos irmãos chimpanzés não…. Foi Deus que assim quis, mutações genéticas, mudança de clima, de alimento, ou tudo isso? Pode ter sido uma sucessão de eventos em cadeia, tipo efeito dominó: uma coisa leva à outra e assim sucessivamente. Alguns desses fatores são o bipedismo que libertou as mãos, o aumento da capacidade craniana que criativamente arranja tarefas para as mãos executarem, utensílios, o polegar oponível, mudanças genéticas, mudanças climatéricas e geológicas que obrigaram o ser humano a adaptar-se às novas condições, etc.

A partir deste cenário altamente variável e com muitas variáveis, surgiu um macaco suficientemente esperto para questionar a sua própria existência. A título de cronologia evolutiva das espécies humanas bípedes que foram surgindo e desaparecendo no vale de Rift desde há seis milhões de anos, a antropologia estabelece as seguintes espécies:
•    Ardipithecus Ramidus – 4,4 milhões de anos
•    Australopithecus Afarensis – 3,5 milhões de anos
•    Homo Habilis – de 2 milhões a 1,4 milhões de anos
•    Homo Ergaster – de 1,8 a 1,2 milhões de anos
•    Homo Erectus – de 1,6 milhões a 150 mil anos
•    Homo Neanderthalensis – de 150 mil a 30 mil
•    Homo Sapiens - de 130 mil anos até hoje

À exceção desta última, que é a nossa espécie, todas as outras estão extintas.

Migração e miscigenação
O Homo Hhabilis, que é considerado o primeiro membro do género Homo, deu origem ao Homo Ergaster. Alguns H. Ergaster migraram para a Ásia, onde são chamados Homo Erectus, e para a Europa com o Homo Georgicus. O H. Ergaster na África e o H. Erectus na Eurásia evoluíram separadamente durante quase dois milhões de anos e, presumivelmente, separaram-se em duas espécies diferentes.

O Homo Rhodesiensis, que era descendente do H. Ergaster, migrou da África para a Europa e tornou-se o Homo Heidelbergensis e, mais tarde (há cerca de 250 000 anos), no Homo Neanderthalensis e no hominídeo de Denisova na Ásia. O primeiro Homo Sapiens, descendente do H. Rhodesiensis, surgiu em África há cerca de 250 000 anos. Há cerca de 100 000 anos, alguns H. Ssapiens Sapiens migraram de África para o Levante e reuniram-se aos neandertais aí residentes, com alguma miscigenação genética.

Mais tarde, há cerca de 70 000 anos, talvez depois da catástrofe de Toba, um pequeno grupo deixou o Levante para preencher a Eurásia, Austrália e, mais tarde, as Américas. Um subgrupo entre eles encontrou os Denisovanos e, depois de alguma miscigenação, migraram para preencher a Melanésia.

Neste cenário, a maior parte das pessoas não-africanas de hoje têm origem africana ("hipótese da origem única"). Contudo, também houve alguma mistura entre os neandertais e os Denisovanos, que evoluíram localmente (a "evolução multirregional"). Resultados genómicos recentes do grupo de Svante Pääbo também mostram que há 30 000 anos, pelo menos, três subespécies principais coexistiram: os Denisovanos, Neandertais e os Cro-magnons. Hoje, apenas o Homo Sapiens Sapiens sobreviveu, sem outras espécies ou subespécies existentes.

Os três reis magos e os três grupos humanos
Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos. Isaías 25, 6

Os três grandes grupos étnicos subdividem-se em vários outros grupos que podem também subdividir-se até uns 5 000 grupos étnicos. Porém, todos descendem do Homo Sapiens pois, como vimos, todas as outras estirpes humanas se fundiram com o Homo Sapiens ou desapareceram e se extinguiram. Não há assim nenhuma razão científica que fundamente o racismo, ou seja, a rivalidade entre diferentes grupos humanos, uma vez que somos todos exclusivamente Homo Sapiens que emigraram de África.
  • Caucasoide – arianos, hamitas, semitas
  • Mongoloide - mongóis, chineses, indo-Chineses, japoneses e coreanos, tibetanos, malásios, polinésios, maori, micronésios, esquimós ou Inuit, índios americanos
  • Negroide - africanos, hotentotes, melanésios/Papua, “Negrito”, aborígenes australianos.
No museu de Addis Abeba, onde se conserva 40% do esqueleto de Lucy um Australopithecus afarensis datado cerca de 3.2 milhões de anos, um grande cartaz diz “Bem-vindos a casa”. Sim, de facto o Vale de Rift é a nossa casa comum.

A partir daqui o homo sapiens começou sua viagem que o levou a todos os cantos da terra. À medida que se iam fixando em diferentes longitudes e latitudes, para sobreviver os seus corpos a sua fisiologia teve de se adaptar aos diferentes lugares que iam colonizando daí a ramificação em três principais grupos étnicos, negroides, caucasoides e mongoloides, uma vez mais, tal como Deus é um e três, os seres humanos são ao mesmo tempo um e três; três em um, um  em três.

Representando cada um três grupos étnicos em que a humanidade se ramificou, os três reis magos voltaram ao vale do Rift de onde tinha partido o seu comum ancestral, o homo sapiens, para prestar homenagem ÀQUELE que é o modelo da humanidade, também nascido nas encostas de  daquele vale, Jesus Cristo. Jesus é aquele que veio trazer plena saúde física, moral, espiritual e psicológica e sobretudo ser o grande modelo de humanidade para todos seguirem como caminho, verdade e vida. (João 14, 6)

Cereais e civilização
A agricultura e a domesticação dos animais foram importantes já no Paleolítico para a sobrevivência da espécie humana e sobretudo para vencer a simbiose e dependência em que o homem vivia em relação à Natureza. Antes da invenção da agricultura e domesticação dos animais, o ser humano, tal como os animais selvagens, passava a maior parte do dia à procura de alimento.

De entre todos os produtos agrícolas, os mais responsáveis por estabelecer uma total independência em relação à Natureza são os cereais. O ser humano é considerado um omnívoro, mas, do ponto de vista da civilização, é sobretudo cerealífero; os cereais são, ainda hoje, a base da alimentação da humanidade, são a base da conhecida pirâmide alimentar: cereais, vegetais e frutas, carne e peixe e por fim as gorduras vegetais ou animais.

Porquê os cereais? Do ponto de vista da nossa alimentação, os cereais, compostos por hidratos de carbono, são um alimento energético e fornecem uma energia constante por muito tempo. As verduras e frutas fornecem uma energia rápida, mas de pouca duração. Por outro lado, de todos os alimentos que se conhecem, os cereais são os que levam mais tempo a degradar-se: em humidade zero podem sobreviver durante milénios. De facto, foram encontrados no túmulo de Tutankamon, faraó do Egito, grãos de trigo com 5 000 anos que germinaram depois de semeados.

Onde não houve cereais não houve civilização porque os cereais, como bem indica a história de José do Egito descrita no livro do Genesis 37 e a parábola do rico insensato de Lucas 12, 16-20, ao contrário de outros alimentos podiam ser armazenados e conservados durante muito tempo, libertando os seres humanos da busca constante de comida e permitindo que se dedicassem a outras tarefas, formando cultura e civilização. Tomemos como exemplo os índios de todo o continente americano; tanto os índios da América do Norte, como os da América do Sul, não constituíram civilização porque não tinham nenhum cereal. Enquanto que os índios da América central, os Maias, os Astecas e os Incas constituíram uma civilização bastante desenvolvida. São três as grandes civilizações do mundo antigo e todas elas têm como base um ou mais cereais:

Civilização do trigo – Norte de África e Europa - O Egito floresceu graças à fartura de grãos cultivados nas margens do rio Nilo. Trigo, cevada, sorgo, aveia foram os primeiros grãos com o maior domínio de técnicas de cultivo. Os faraós usavam o trigo como moeda. Os camponeses ganhavam três pães e dois jarros de cerveja como pagamento por um dia de trabalho. Nos túmulos egípcios dos faraós, foram encontradas massas, mel, frutas, carnes, pães e cerveja.

Civilização do arroz– Ásia e Oceânia – O arroz é a base da alimentação de aproximadamente dois terços da população mundial, sendo o cultivo mais importante de vários países, principalmente na Ásia e Oceânia. O cultivo do arroz é tão antigo quanto a civilização. Os historiadores acreditam que este cereal é originário da China, Índia e Oceânia. Descobertas arqueológicas na China e na Índia indicam que o arroz existe há 7 000 anos. A sua utilização em cerimónias, onde o Imperador semeava o arroz, remonta a 2 822 a.C. e representa a referência mais concreta que existe.

Civilização do milho – Américas - O milho era conhecido pela civilização pré-colombiana como o alimento dos homens e deuses. É o terceiro cereal mais importante do mundo, depois do trigo e do arroz, e garantiu a sobrevivência de grandes populações pelo seu valor nutricional. Os homens que cultivavam o milho necessitavam de apenas 50 dias de trabalho ao ano, o que permitiu que esses povos pudessem trabalhar na construção de grandes obras arquitetónicas.

Os Maias, Astecas e Incas usavam o milho em forma de farinha na sua alimentação em papas, pães, bolos, tamales. Esses povos tinham uma relação mística e intensa com esse cereal. Mesmo nas luxuosas refeições dos líderes, o milho era presença obrigatória. A preparação do milho incluía a utilização de           sal e pimenta, bem como as bebidas fermentadas produzidas a partir do milho, que ainda hoje são feitas pelos povos andinos. A durabilidade e a fácil conservação para o transporte do milho contribuíram para que Colombo levasse o milho da América para a Europa.

Perfil africano (negroide)
As características físicas dos africanos são as seguintes: crânio arredondado, pigmentação da pele muito escura, cabelo de cor preta encarapinhado ou crespo; olhos redondos de cor preta, nariz largo e achatado, boca grande de lábios proeminentes e grossos, tórax curto e largo, escassa pilosidade corporal e barba rala.

O núcleo principal deste grupo, situa-se no continente africano. No entanto, há um ramo oriental deste grupo que é constituído pelos austroloides, também chamados oceânicos. Os das Ilhas Salomão assemelham-se tanto aos negros africanos que os antropólogos não distinguem uns dos outros. Em geral, têm a pele escura, cabelo preto ondulado, sistema piloso corporal desenvolvido cara estreita e baixa, olhos de cor castanha escura, nariz grande, lábios grossos, cabeça alongada, estatura superior à média e, mesmo, alta.

Perfil europeu (caucasiano)
As características físicas dos europeus são as seguintes: crânio largo e redondo, pigmentação da pele clara, cabelos claros que variam de lisos a ondulados, olhos rasgados e retos, lábios delgados, tórax largo, abundante pilosidade corporal, barba cerrada. Constituem 50% da humanidade. O núcleo principal dos brancos encontra-se no Velho Mundo: Europa, Ásia e no norte de África. Subdivide-se em meridional ou indo-mediterrânico e setentrional ou Atlântico-báltico. A raça meridional é de pele, cabelos e olhos escuros, enquanto a raça setentrional apresenta a pele, cabelos e olhos mais claros.

Os que representam a raça meridional ou indo-mediterrânica são: hindus, tajiques, arménios, gregos, árabes, italianos e espanhóis, que se caracterizam por cabelo negro ondulado, olhos castanhos, nariz de dorso encurvado, rosto estreito e cabeça de forma dolicocéfala ou mesocéfala.

A raça setentrional ou atlântico-báltica é representada pelos russos, bielor russos, polacos, noruegueses, alemães, ingleses e povos que vivem mais para o norte; as suas características são: pele clara, cabelos loiros ou ruivos, olhos cinzentos ou azuis, nariz comprido e estatura elevada.

Perfil asiático (mongoloide)
As caraterísticas físicas dos asiáticos são as seguintes: crânio largo, pigmentação clara da pele entre branca e amarelada, cabelos lisos e negros, olhos rasgados e oblíquos, pómulos salientes, nariz reto, lábios delgados, tórax curto e largo, escassa pilosidade corporal.

A etnia mongoloide compreende cerca de 40% da população terrestre e metade são chineses. Habitam na Ásia, nas regiões setentrionais, orientais, centrais e sul-orientais, e estendem-se pela Oceânia e continente americano. Muitos elementos deste grupo fazem parte da população das regiões asiáticas que pertenciam à antiga União Soviética: iacutos, buriatos, tunguses, tchuquetches, tuvinos, altaios, ilacos, aleutas, esquimós asiáticos.

A raça mongoloide divide-se em três raças: Setentrional ou asiático-continental - também chamada de centro-asiática e à qual pertencem os buriatos e os mongóis. São conhecidos por terem a cor da pele, cabelos e dos olhos mais clara, os cabelos menos duros, lábios delgados e rosto grande e chato.

Meridional ou asiático-pacífica - são seus representantes os malaios, javaneses e habitantes das Ilhas de Sonda. As características são: pele bronzeada, rosto estreito e baixo, lábios grossos, nariz largo, cabelo por vezes ondulado, estatura inferior à dos setentrionais e dos chineses.

Índios americanos – as suas características são: cabelo reto e rígido, cor negra, sistema piloso corporal pouco desenvolvido, pele com coloração amarela-parda, olhos de cor castanha escura e rosto largo.

Variáveis fisiológicas
As variáveis fisiológicas mais notáveis entre os três grupos humanos, são a cor da pele, a forma e a cor do cabelo, a forma e a dimensão do nariz, a forma e a cor dos olhos e, em menor medida, a saliência das maçãs do rosto.

Pele – Do branco de um escandinavo ao preto de um congolês a única diferença é a latitude em que estas duas pessoas habitam. Quando mais a norte do Equador, mais branco; quando mais perto do Equador, mais preto. O nosso organismo precisa de vitamina D que sintetiza a partir da exposição da pele nua ao sol. Onde o sol é abundante, a pele, como se fosse uma cortina, fecha-se para deixar entrar só a quantidade de que precisa; onde o sol é escasso, a pele abre-se por completo para deixar entrar a maior quantidade possível.

Nariz – Para além de filtrar o ar de poeiras e fumos, e impedir que cheguem aos brônquios, o nariz também regula a temperatura do ar; o nariz longo de narinas apertadas corresponde aos climas frios, o nariz pequeno e achatado de narinas amplas corresponde aos climas quentes.

Olhos - A maior ou menor concentração de melanina na pele é responsável pela sua cor, e também pela cor dos olhos - quanto mais pretos, mais melanina; quanto mais claros, menos melanina.
Dizem estudos atuais que as pessoas com olhos azuis descendem todas de um mesmo indivíduo que viveu há 6 000 anos na Escandinávia.  Ali, 89% das pessoas têm olhos azuis e essa percentagem vai descendo à medida que caminhamos para sul e desaparece de azul para verde, de verde para castanho e depois preto, à medida que avançamos mais para sul. Tal como a pele e o cabelo, a diferença de melanina é responsável por isso.

Quanto ao formato dos olhos, ressalta a diferença entre os olhos chineses ou asiáticos e o resto do mundo. Os estudos dizem que este formato é uma adaptação ao meio ambiente e ao clima; nas estepes asiáticas, os ventos constantes, a poeira por eles levantada, o frio, assim como a necessidade de divisar ao longe, levaram ao longo dos séculos os olhos a serem como são hoje.

Cabelo – A mesma melanina que é responsável pela cor das íris dos olhos e da pele é também responsável pela cor do cabelo. A textura do cabelo tem a ver com a temperatura: os cabelos lisos são próprios dos climas frios, os cabelos encaracolados e encarapinhados como os dos africanos, são próprios dos climas quentes - ao dar mil e uma voltas, um cabelo encarapinhado permite que se forme uma almofada ou câmara de ar entre o couro cabeludo e o ar, protegendo assim a cabeça de insolações; os africanos têm como que um ar condicionado na cabeça.

A essência do racismo
Não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. Gálatas 3:28

A afirmação e a defesa da tese da desigualdade biológica das raças humanas constituem a essência do racismo. Os racistas consideram a raça branca como superior e as outras raças, como a negra e a amarela, como inferiores. Os racistas confundem os conceitos de raça e nação. No entanto, a raça é um conceito biológico enquanto que a nação é um conceito sociológico.

O nível cultural não depende das características sociais, mas é determinado pelos fatores económicos e sociais. O pensamento racista não tem qualquer base científica, apresentando erros grosseiros de lógica e de informação. Assim, confunde raça com nação, povo, cultura ou grupo linguístico, atribuindo a fatores sociais, e, portanto, hereditários, comportamentos que nada têm a ver com raça, mas que são condicionados pela cultura, pelo meio social e pelas condições económicas.

Padrões de beleza
“Quem o feio ama, bonito lhe parece” O padrão de beleza é convencional; em África há tribos que gostam de mulheres com o pescoço comprido; no sul da Etiópia, as mulheres abrem uma fenda nos lábios para colocar dentro desse espaço um pequeno prato de argila que, segundo eles, torna a mulher mais bela; na China e no Japão, gostam das mulheres com os pés pequenos.

Porém, a civilização ocidental espalhou os seus padrões de beleza pelos quatro cantos do globo de tal modo que parece que toda a gente pensa e sente como a Europa ou a América do Norte pensam e sentem. Constatei isto mesmo nos meus anos de Etiópia, quando testei um grupo de jovens sobre a beleza. Havia na missão uma freira local, jovem e bela, e outra italiana não tão jovem nem bela para não dizer feia; abismado fiquei quando ao perguntar aos jovens qual das duas era a mais bela, me disseram que era a italiana. Suponho ser esta a razão pela qual o cantor Michael Jackson nunca aceitou a sua cor e buscou por meio de várias operações plásticas ficar branco.

Levou tempo a que nas salas onde se expõe a moda aparecessem modelos não caucasianos. Naomi Campbell foi a primeira modelo africana e chocou de alguma maneira certos padrões e costumes do mundo da moda. A questão é que o padrão de beleza não tem nada de científico, é puramente convencional, arbitrário e circunstancial. Se a África fosse tão bem-sucedida como a Europa e a América, o conceito de beleza padrão seria africano.

A irracionalidade do racismo
Não existe o homem asiático nem o africano nem o americano, pois todos os homens provêm do continente africano. Apesar de ter havido outras estirpes de Homo como o Neandertal que saiu de África, a estirpe de Homo que vingou foi o Homo Sapiens. As outras extinguiram-se ou fundiram-se com o Homo Sapiens, pelo que só há um Homo.

As diferenças fisiológicas dos três principais grupos étnicos são o resultado de uma adaptação ao meio ambiente e são todas reversíveis no sentido de que se levássemos uma tribo do Congo para a Noruega, em menos de 25 000 anos os seus elementos ficariam louros, de cabelo liso, olhos azuis e pele branca. Por isso tem cada vez mais validade o que disse Martin Luther King no dia anterior ao seu assassinato: “Sonho com o dia em que os homens serão julgados não pela cor da sua pele, mas pelo conteúdo do seu caráter.
Pe. Jorge Amaro, IMC

1 de dezembro de 2019

3 Períodos da Idade dos Metais - Cobre - Bronze - Ferro

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A Idade dos Metais é a última etapa da Pré-história, bastante mais curta que a anterior. Começa aproximadamente no ano 6 500 a.C. e vai até ao ano 1 500 a.C. Em busca de materiais mais adequados para as suas ferramentas, o homem passou da pedra, madeira e osso para materiais mais duros e mais fáceis de moldar. Assim, passou da Idade do Cobre, o primeiro metal a ser descoberto, à Idade do Bronze que resulta de uma liga entre o cobre e o estanho. Por fim, descobriu o ferro.

Apesar de ser o metal mais abundante no nosso planeta, foi o último a ser descoberto. Podemos dizer que, desde que este foi descoberto, nunca mais saímos da Idade do Ferro, pois é ainda hoje o metal mais usado em todo o planeta. Conforme as características mais procuradas - maleabilidade, durabilidade ou dureza - assim foram surgindo várias ligas, como o aço, o aço inoxidável, etc. que têm as mais variadas aplicações, sendo as mais importantes na indústria automóvel, na construção naval e na construção civil.

Estes desenvolvimentos tiveram lugar em diferentes zonas do planeta, mas principalmente no Médio Oriente, onde nasceu a cultura ocidental: falamos da Mesopotâmia, de Israel, Assíria e Egito. Com os metais, não só surge uma atividade nova - a metalurgia - como todas as tarefas humanas se tornam mais fáceis e produtivas - a agricultura, a pastorícia, a caça e a pesca – criando assim excedentes e dando origem a uma outra atividade nova: o comércio. O comércio levou o ser humano a criar meios de transporte de mercadorias e assim surgiu a roda, o cavalo como força motriz e a vela para os barcos.

Infelizmente, nem tudo foi positivo; os metais possibilitaram também o fabrico de armas que foram utilizadas pela primeira vez para outros fins que não a caça de animais, isto é, foram utilizadas contra outros seres humanos. É na Idade dos Metais que surgem os primeiros reis, as primeiras nações e os primeiros impérios que se formam com guerras entre povos; assim surge mais um ofício, o de guerreiro. Mesopotâmia e Egito foram as primeiras civilizações a aparecer.

Idade do Cobre – 6 500 a.C. – 2 500 a.C.
Também chamada a Idade do Calcolítico, quando vista como uma transição entre o Neolítico e a Idade do Bronze. Descoberto provavelmente por casualidade, o bronze rapidamente substituiu a pedra, o osso e a madeira no fabrico de ferramentas. O Calcolítico representa um salto qualitativo em relação à Idade da Pedra, porque a madeira e os ossos eram disponibilizados pela natureza, enquanto que os metais eram minerais que tiveram de ser fundidos para serem utilizados.

Uma vez descoberto o cobre, a passagem para a Idade do Bronze e desta para a Idade do Ferro representaram saltos quantitativos. O homem deu-se conta de que o futuro estava nos metais e a busca por metais mais duros e resistentes foi o que originou a passagem do cobre para o bronze e do bronze para o ferro.
A princípio, os metais eram trabalhados com um martelo para lhes dar forma. Mais tarde, deram-se conta de que era melhor fundi-lo para ter formas mais específicas e perfeitas. Assim se descobriu a fundição como processo para a elaboração de objetos e ferramentas de metal.

O cobre é um metal muito macio e maleável. Os objetos com ele feitos não eram muito resistentes. Foi também nesta época que se descobriram outros metais tão ou ainda mais macios que o cobre; o ouro e a prata. Quando o cobre foi descoberto, o homem substituiu todas as suas ferramentas por este metal, mas rapidamente se deu conta de que, para certas ferramentas, a pedra sílex era mais dura e bem menos maleável que o cobre. Por isso, mais que para ferramentas ou armas, o cobre serviu para vasilhas e adornos e para os rituais fúnebres.

Idade do Bronze 2 500 a.C. – 1 500 a.C.
Em busca de um metal mais duro, o homem foi misturando minerais, até que inventou o bronze resultante de dois metais macios: o cobre e o estanho. O bronze é uma liga de 90% de cobre e 10% de estanho. Dois metais macios produzem um metal duro.

Ao ser descoberto, este metal rapidamente se expandiu por todo o mundo conhecido; criaram-se as primeiras rotas dos metais que conduziam às minas. Assim se desenvolveu a roda para o transporte terrestre, o barco e a vela para o transporte marítimo. A expansão do comércio levou a Idade do Bronze a toda a Europa e Ásia e a partes do Norte de África. O cobre passou a ser mais procurado para fazer bronze do que para ser usado como cobre. Como o bronze não tinha par em dureza e resistência, todas as ferramentas passaram a ser feitas em bronze.

A substituição das ferramentas e instrumentos de pedra e cobre pelos de bronze fez aumentar a produção (principalmente na agricultura) e a durabilidade destas mesmas ferramentas porque, como dissemos, o bronze é mais resistente e desgasta-se menos que o cobre.

As armas de combate passaram a ser de bronze, dando ao povo que dominava este processo mais poder de conquista, dominação e superioridade bélica. O bronze também foi usado no fabrico de artefactos domésticos (facas, machados, etc.), e de armas de caça, melhorando a qualidade de execução de determinados serviços. Por fim, também teve um uso artístico (máscaras, estatuetas, etc.) e de adorno (colares, pulseiras, anéis, etc.).

 Idade do Ferro 1 500 a.C.
Começou no sudoeste da Ásia Menor, no que hoje é a Turquia e rapidamente se alastrou ao Médio Oriente e resto da Europa. Os hititas foram o primeiro povo a trabalhar o ferro e a usá-lo sobretudo nas armas com as quais rapidamente subjugavam os outros povos. O combatente com espada de ferro partia a espada do combatente com a espada de bronze, logo aos primeiros embates. 

O ferro, mais abundante na natureza que os dois metais anteriores, requeria mais conhecimentos metalúrgicos, devido à temperatura de fundição mais elevada. Por isso foi necessário aperfeiçoar primeiro a fabricação de fornos para posteriormente alcançar temperaturas mais altas.

A introdução do ferro no fabrico dos mais diversos equipamentos, ferramentas e armas trouxe grandes modificações à vida das pessoas daquela época. O ferro passou a ser usado na produção de ferramentas mais fortes e resistentes, o que acabou por ajudar ao desenvolvimento da agricultura e facilitar o trabalho de plantio.

Em relação às armas, o ferro ajudou a construir espadas e outros tipos de armas mais fortes. Com a introdução desse tipo de material, os exércitos que possuíam o armamento mais forte acabavam por dominar os outros povos com maior facilidade. Assim surgiram os grandes impérios e o aparecimento de reis e governantes cada vez mais poderosos.

Segundo os historiadores, a descoberta da escrita assinala o fim da Idade do Ferro e da Pré-história. No entanto, sob outro ponto de vista, continuámos na Idade do Ferro, pois este continuou a ser o material mais usado até ao século XIX. Tal como a combinação do cobre com o estanho deu início à Idade do Bronze, também a combinação do ferro com o carbono neste século deu início à atual Idade do Aço, já que este é o metal mais utilizado em todo o planeta.

Invenções da idade dos metais
O forno – Invenção que deu origem à metalurgia na idade dos metais. O aperfeiçoamento do forno fez com que fosse possível alcançar-se temperaturas mais altas para fundir o ferro e criar outras ligas. É certo que também se usou depois para cozinhar alimentos como o pão e a carne, e elaborar utensílios de cerâmica.

A roda – Permitiu o progresso do comércio dos excedentes, possibilitando o transporte de cargas em menos tempo e com menos esforço.

Os canais – Permitiam conduzir a água dos rios para terras afastadas destes e assim obter mais excedentes agrícolas; também serviam para abastecer povoações de água e, com a utilização de barcos, servia também como via de transporte de mercadorias.

O barco – Os primeiros barcos eram pequenos botes ou jangadas; a vela fez com que passasse a ser possível a construção de barcos de maior calado para transportar mais pessoas e mais mercadorias.

A vela – Serviu para impulsionar o comércio dos excedentes criados por uma sociedade cada vez mais técnica e diversificada. A vela era usada nos barcos, mas também nos moinhos de vento; a princípio era fabricada com cabedal, depois com tecido mais maleável, de modo a aproveitar melhor a força motriz do vento.

O arado – Usando os animais de carga em combinação com o arado, era possível cultivar mais terra; escusado será dizer que este foi primeiro fabricado com cobre, depois com bronze e finalmente com ferro, como ainda hoje é. Com o arado, a superfície cultivada quadruplicou e os excedentes agrícolas provocaram um desenvolvimento se precedentes do comércio.

O moinho – De água, de vento e de maré, fez aumentar a produção de farinha para a produção de pão. Antes do moinho, era necessário usar a força do homem e de duas pedras; depois do moinho, passou a utilizar-se a força motriz da natureza para criar um movimento contínuo que permitia moer grandes quantidades de cereal em pouco tempo.

Tecelagem – Ainda não com a máxima força, mas começou-se a tecer ou a entrelaçar plantas para formar cestas. Depois, descobriu-se o linho, o algodão e a lã e surgiram os fios que, entrelaçados nos teares, deram origem aos primeiros tecidos, que vieram substituir as peles de animais no vestuário.

Construção em pedra – Foi na Idade dos Metais que começaram a construir-se muralhas à volta das cidades, templos e fortalezas. Foi nesta época que se construiu o edifício mais alto do mundo, cuja altitude só foi superada 3 000 anos mais tarde pela catedral de Lincoln, em Inglaterra. Trata-se da Grande Pirâmide ou pirâmide de Gizé ou Quéops, construída por volta do ano 2 560 a.C., com 146 metros de altura, superada em 1 311 pela catedral de Lincoln, em Inglaterra.

Profissões da Idade dos Metais
Chefes ou reis – Que se distinguiam pela capacidade de liderança e pela força física.

Sacerdotes – Encarregados dos ritos e das relações com a divindade, intercediam pelo povo e aplacavam os deuses com sacrifícios.

Agricultores - Profissão que nasceu ainda na Idade da Pedra e que substituiu a caça e a pesca como meio de obtenção de alimentos, e a armazenagem dos mesmos, permitindo ao homem uma certa independência da terra e da natureza.

Pastores – Foi a atividade que substituiu a caça; com a domesticação dos animais, aprendeu-se a reproduzir os mesmos e a obter assim alimento acumulado. Para os povos primitivos, era como ter dinheiro no banco, pois, ao vender um animal, recebiam os juros de um capital investido na compra do animal quando era pequeno.

Ferreiros ou metalúrgicos – Foram os que se especializaram nesta nova arte e ofício da era dos metais; passaram a ser responsáveis pelo fabrico de todos os utensílios que o homem utilizava.

Oleiros – Utilizaram também o forno, embora a temperaturas mais baixas, para cozer a argila. É uma profissão muito antiga, pois aparte as cestas, a argila foi o material utilizado para todo o tipo de vasilhas, tanto para armazenar líquidos como a água, o vinho e o azeite como os cereais.

Fiadores, tecelões, padeiros – Foram outras profissões menores que apareceram à medida que a sociedade se estruturava e organizava e se diversificavam as funções e profissões.

Comerciantes – Nasceram das relações entre os povos, dos excedentes agrícolas ou outros, e da crescente especialização. Foram eles que levaram os produtos de um local onde abundavam para outro onde escasseavam, possibilitando os intercâmbios.

Matriarcado e o conceito de Deus
“A tua esposa será como videira fecunda na intimidade do teu lar; os teus filhos serão como rebentos de oliveira ao redor da tua mesa.Salmo 128, 3

Os antropólogos estão seguros de que a primeira divindade a ser adorada, foi uma deusa e não um deus. Esta divindade era adorada como a mãe de tudo o que vive; esta divindade identificava-se com a Terra, com o solo. Por isso, em todas as línguas onde não existe o género neutro e tudo se define com os géneros masculino ou feminino, a Terra como planeta e a terra como solo são palavras femininas: a mãe Terra em maiúscula e em minúscula, a mãe natureza.

Os homens primitivos viviam, como ainda hoje fazem os animais, em simbiose com a natureza, como um bebé ligado à sua mãe pelo cordão umbilical, e não em oposição ou contraposição com ela por meio da sua mente. Na Terra viviam, da terra viviam, dela nascia e brotava a vida e o sustento das suas vidas.

O mesmo acontecia com eles próprios: da mulher, qual terra fecunda, vinha a vida nova que povoava a terra. É claro que a conexão entre o ato sexual e o nascimento do bebé ainda não tinha sido estabelecida. E porquê? A inteligência do ser humano ainda não era suficientemente desenvolvida para estabelecer a relação entre uma causa e um efeito, tanto tempo depois (nove meses).

Gosto de dar como exemplo a inteligência de outros mamíferos, por exemplo, dos ratos. Se eu colocar um pó amarelo como veneno, alguns ratos vão comer esse pó e pouco depois morrem. Os outros ratos estabelecem imediatamente uma sequência de causa e efeito e, passado pouco tempo, por mais pó amarelo que eu coloque, nenhum rato morrerá porque a causa e o efeito estão muito próximos no tempo. Houve um tempo em que a nossa inteligência era tão diminuta quanto a do rato.

Mas suponhamos que colocamos como veneno para os ratos um anticoagulante do sangue; os ratos comem à vontade o veneno e nada lhes acontece, até que um dia acontece uma luta entre ratos ou algum deles se fere e sangra até morrer. Atualmente, este veneno é o mais usado para combater os ratos, porque não lhes permite estabelecer uma relação de causa e efeito.

O mesmo acontecia com os seres humanos primitivos que não estabeleciam um nexo entre a causa - o ato sexual - e o nascimento do bebé. Por esta razão, a mulher era vista como o correspondente à mãe natureza, à terra mãe: tal como do ventre da terra surgia a vida das plantas das quais dependiam os animais, também do ventre da mulher nascia a nova vida.

É certo que os homens primitivos se davam conta de que eram fisicamente mais fortes que as mulheres; mas, não ousavam levantar a mão contra elas, tal como nenhum homem ainda hoje ousa levantar a mão contra a própria mãe - este é um tabu. Observamos o mesmo nos mamíferos mais próximos de nós. Na evolução das espécies, as fêmeas que amamentam são muito agressivas contra os machos e não os deixam aproximar-se. Teoricamente esses machos venceriam a luta contra as fêmeas, mas não reagem e retiram-se por um respeito instintivo.

Uma vez que a conexão entre o nascimento das crianças e o ato sexual ainda não tinha sido estabelecida, as mulheres eram quem detinha o poder; a sua fertilidade dava vida ao indivíduo e imortalidade à tribo. Porque a mulher era a origem e fonte da vida, Deus era concebido como mulher, como mãe.

Para além do dom da reprodução e fonte de vida, como acontece ainda hoje com os mamíferos, o homem era atraído pela mulher que detinha o poder sobre o ato sexual que o homem tanto buscava, pelo prazer que lhe concedia e pela libertação da libido.

Autoconsciência e patriarcalismo
Abençoando-os, Deus disse-lhes: «Crescei, multiplicai-vos, enchei e submetei a terra. Genesis 1, 28

(…) depois, disse à mulher: «Aumentarei os sofrimentos da tua gravidez, entre dores darás à luz os filhos. Procurarás apaixonadamente o teu marido, mas ele te dominará.» A seguir, disse ao homem: «Porque atendeste à voz da tua mulher e comeste o fruto da árvore, a respeito da qual Eu te tinha ordenado: ‘Não comas dela’, maldita seja a terra por tua causa. E dela só arrancarás alimento à custa de penoso trabalho, todos os dias da tua vida. Genesis 3, 16-17

Quando o nexo entre o ato sexual e o nascimento de uma nova vida foi estabelecido, o estatuto do homem começou a ascender. O ser humano sempre formou o seu conceito de Deus com base no que valoriza e considera importante: as suas necessidades e o conceito de si mesmo. Durante algum tempo, a mulher ainda gozou um pouco do seu estatuto anterior; na verdade, deus era agora representado como um matrimónio.

A deusa/ -mãe/ -terra original passou a ser complementada por um consorte, um pai do céu. A chuva cai do céu, é o sémen divino enviado por deus-pai para engravidar a mãe terra, de modo a que a vida possa surgir.

O machismo ou patriarcalismo surgiu com a eclosão da autoconsciência: quando se quebrou o cordão umbilical entre o homem e a natureza e este deixou de viver em simbiose com aquela, passando a ver-se como distinto dela, separado dela. Assim se estabeleceu uma diferença entre o homem e o seu ambiente, a natureza, o instinto e o pensamento autorreflexivo.

Quando o ser humano nasceu como pessoa, a sobrevivência passou a ser menos uma função das capacidades reprodutivas da mulher e mais uma função da capacidade e habilidade do homem para obrigar a natureza a satisfazer as suas necessidades. A subjugação da terra correspondeu à subjugação da mulher, pois passou a ser o homem a deter o poder da reprodução. Enquanto o óvulo não foi descoberto em 1928, pensou-se que a mulher era só o recetáculo onde o homem, com o seu sémen, colocava o novo ser no ventre da mulher, o homúnculo, como lhe chamava S. Tomás de Aquino.

A história de Abraão pode ser reinterpretada neste âmbito. Abraão, um homem, deixou a sua terra, cortando os laços que o ligavam a Ur dos caldeus, por volta de 1 800 a.C. Num ato de autoafirmação e superando a necessidade de segurança, respondeu assim ao chamamento de uma divindade que também não estava a vinculada a nenhum lugar, e pôs-se a caminho do desconhecido, como que em busca de si mesmo e dessa divindade. Desde a história de Caim e Abel que se sabe como (Javé) Yahweh favorecia os pastores contra os agricultores, mais dados aos valores femininos da fertilidade.

Em toda a História da humanidade, só Jesus tratou as mulheres de igual para igual. Não temos espaço para desenvolver aqui este tema, mas os seus discípulos não entenderam nem aceitaram este talante do Mestre e depressa voltaram ao machismo do seu ambiente cultural.

S. Tomás de Aquino chegou à conclusão de que a mulher era de natureza inferior ao homem, pelo que decretou que o inferior devia servir o superior. Esta atitude ainda não mudou, não só em alguns lugares do nosso planeta, mas também em algumas mentes da civilização ocidental atual. Por isso, quando o Papa João Paulo I disse que Deus era também mãe, não deixou de escandalizar muitos católicos. O papa que lhe sucedeu levou anos a assimilar o conceito, até um dia o declarar também em público.
Pe. Jorge Amaro, IMC











15 de novembro de 2019

3 Períodos da Idade da Pedra - Paleolítico - Mesolítico - Neolítico

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O estudo da evolução da raça humana neste planeta que possui quase nove milhões de diferentes espécies de vida animal e vegetal, divide-se em dois grandes momentos: Pré-História e História. A Pré-história estuda o aparecimento dos primeiros hominídeos ou antepassados do homem há 5 milhões de anos e o seu processo evolutivo até à invenção da escrita, 4 000 A.C., quando o homem transmite notícias acerca de si mesmo, relatando a sua existência. Aqui termina a Pré-história e começa a História até aos nossos dias.

Esta primeira etapa da evolução da humanidade, substancialmente mais longa, divide-se ainda em duas etapas segundo a relação do Homem com o seu meio ambiente e com os materiais que utiliza. Assim, temos a Idade da Pedra, durante a qual o Homem usou no seu dia a dia, e a Idade dos Metais, quando o ser humano aprendeu, com a ajuda do fogo, a fundir alguns minerais para os transformar em metais e posteriormente os usar como utensílios.

Origem da vida
Depois de tantos anos de estudo, de avanços da ciência e da tecnologia, a origem da vida é ainda um mistério que desafia os cientistas. O “big bang” da biologia, uma teoria sobre a origem da vida aceite por todos, definitivo e incontornável, ainda não foi descoberto. Ainda ninguém conseguiu recriar as condições reais da Terra primitiva quando a vida apareceu. Ou seja, ninguém foi capaz de voltar a recriar as condições que favoreceram a transição de matéria inanimada inorgânica em matéria orgânica viva.

A criação em laboratório de ambientes que poderiam ser semelhantes ao da Terra primitiva não resultou em aparecimento de vida. A teoria da geração espontânea que preconiza que complexos organismos vivos totalmente formados possam surgir naturalmente e espontaneamente da matéria inanimada, não é aceite por ninguém desde Louis Pasteur no século XIX, com sua experiência de balão famoso de pescoço de cisne, do qual ele concluiu que" vida só vem da vida".

“A mais complicada máquina inventada pelo homem não passa de um brinquedo diante do mais simples organismo”, escreveu o biólogo americano e prémio Nobel da Medicina, George Wald. “A maior dificuldade está no ajuste preciso de uma molécula a outra, proeza que não está ao alcance de nenhum químico.”

Sabemos que a força da gravidade foi a responsável pela aglutinação da matéria e da poeira espacial e pela formação de planetas e estrelas. Desconhece-se se existe uma força análoga em biologia que leve diferentes moléculas orgânicas a juntarem-se para formar uma célula procariota ou eucariota.

Até à data de hoje, tudo o que a biologia conseguiu estabelecer foi que, em condições muito peculiares, a vida surgiu da união de moléculas orgânicas simples que formaram uma estrutura mais complexa, dotada de metabolismo e capaz de se duplicar. Os microrganismos deste período utilizavam no metabolismo metano ou hidrogénio em vez de oxigénio: eram organismos de metabolismo anaeróbico. A fermentação é um exemplo moderno de metabolismo anaeróbico. 

Muito antes da fotossíntese e das células eucariotas que a realizam, os primeiros seres vivos do nosso planeta teriam o aspeto de bactérias ou células procariotas, como as arqueias atuais, e viveriam em ambientes extremos, junto a fontes termais nos mares primitivos, nutrindo-se da reação entre substâncias inorgânicas. A partir desses primeiros seres vivos, surgiram aqueles capazes de realizar a fermentação, depois os fotossintéticos e, por último, os seres heterotróficos, ou seja, os seres vivos que, ao contrário das plantas, não são capazes de produzir o seu próprio alimento.

Evolução das espécies
Deus disse: «Que a terra produza verdura, erva com semente, árvores frutíferas que deem fruto sobre a terra, segundo as suas espécies, e contendo semente.» (…) Deus disse: «Que as águas sejam povoadas de inúmeros seres vivos, e que por cima da terra voem aves, sob o firmamento dos céus.» (…) Deus disse: «Que a terra produza seres vivos, segundo as suas espécies, animais domésticos, répteis e animais ferozes, segundo as suas espécies». Génesis 1: 11, 20, 24

A teoria da evolução das espécies que Charles Darwin publicou em 1858 é o resultado da pesquisa empírica realizada durante a sua viagem pelas ilhas Galápagos, que o levou a concluir que a vida neste planeta procede de um tronco comum, ou seja, que todos os seres vivos neste planeta, tanto plantas como animais, são aparentados. Todos os indivíduos possuem antepassados em comum.

A diversificação dos seres vivos ou a evolução das espécies acontece através da adaptação ao meio e da seleção natural - os mais dotados, os mais fortes, prevalecem sobre os mais fracos ou, como diz o provérbio, dos fracos não reza a história. Os que melhor se adaptam ao meio liquidam os seus rivais e conseguem passar os seus genes para a geração seguinte, até porque as fêmeas instintivamente se deixam fecundar por estes e rejeitam os fracos.

Os primeiros seres vivos surgiram há 3,5 mil milhões de anos. Passados mil milhões de anos surgiram os primeiros seres vivos fotossintéticos, os seres eucarióticos há 543 milhões de anos. Há 2 mil milhões de anos deu-se a grande explosão de vida na época cambriana (são muitos os fósseis que documentam esta fase da vida da Terra).

Os primeiros seres vivos eram organismos microscópicos, vegetais primitivos e invertebrados (vermes e artrópodes). Os peixes foram os primeiros vertebrados. Há 570 milhões de anos, as plantas invadiram a terra firme a partir do mar. Alguns animais já o tinham feito antes, mas não permaneceram em terra firme, pois não havia nela qualquer alimento.

Os animais visitavam a terra firme, mas permaneciam a maior parte do tempo no mar: eram anfíbios. Há 438 milhões de anos, estes começaram a aumentar o seu tempo de permanência em terra e há 408 milhões de anos transformaram-se em répteis. A partir dos répteis, a evolução segue por dois caminhos diversos: alguns répteis evoluem para mamíferos e outros para aves.

Há 360 milhões de anos, reinavam os dinossauros no nosso planeta. Algum tempo, depois, destacaram-se os mamíferos que já coexistiam com os dinossauros, mas eram insignificantes. Há 245 milhões de anos, os dinossauros extinguiram-se e os mamíferos expandiram-se, devido à ausência de depredadores. Há 66 milhões de anos, surgiram os primatas. Há 55 milhões de anos, viveu o antepassado comum dos pongídeos e hominídeos. Os primeiros hominídeos surgiram há 8 milhões de anos.

Ontogénese e filogénese
A ontogénese recapitula a filogénese, postulando que há uma semelhança entre o aspeto dos estados embrionários do feto humano, desde a conceção até ao nascimento, e o desenvolvimento das diferentes formas de vida, desde a origem unicelular até ao ser humano. É hoje uma teoria descartada, mas aproxima-se da analogia que muitas vezes se estabelece entre diferentes campos do saber.

Da conceção de um indivíduo até ao seu nascimento, recapitula-se a evolução da vida na Terra, desde a origem unicelular até à complexidade de um ser humano. As diversas formas que o embrião vai adquirindo no seu desenvolvimento assemelham-se, de alguma maneira, às formas que a vida foi assumindo na evolução das espécies, desde a procariota arqueia até ao ser humano.

Por outro lado, depois do nascimento, o desenvolvimento do bebé até à autoconsciência, ou seja, até se dar conta de que existe como pessoa e começar a comunicar, recapitula a evolução da raça humana desde o último primata que ainda não era bípede nem falava, até ao Homo Sapiens ereto e com capacidade de comunicação.
   
Evolução da vida humana
O magistério da Igreja não proíbe que nas investigações e disputas entre homens doutos de ambos os campos se trate da doutrina do evolucionismo, que busca a origem do corpo humano em matéria viva preexistente (pois a fé nos obriga a reter que as almas são diretamente criadas por Deus), Humani Generis, 36 - Pio XII, 1950

“É grandioso o espetáculo das forças variadas da vida que Deus infundiu nos seres criados, fazendo-os desenvolverem-se em formas cada vez mais belas e admiráveis”. Charles Darwin A origem das espécies 1858

Charles Darwin nunca disse que os seres humanos evoluíram a partir dos macacos atuais. De acordo com o naturalista britânico, os seres humanos, os macacos, os chimpanzés e os gorilas têm uma série de antepassados que são comuns. Esses antepassados viveram no continente africano há cerca de 6 a 5 milhões de anos. Os cientistas chamam-lhe Sahelanthropus Tchadensis.

Depois deste, entre os 5 e os 3,5 milhões de anos, surgiu o australopiteco afarensis. Lucy, encontrada na Etiópia, pertence a esta família que marca o momento em que a raça humana aprendeu a andar. Um pouco mais tarde, há 2,6 milhões de anos, surgiram os primeiros utensílios humanos. Em seguida, há 2,5 milhões de anos, surgiu o Homo Habilis, assim chamado pelo uso que fazia dos utensílios.

O controlo do fogo aconteceu há 1 milhão e meio de anos; os alimentos começaram a ser cozinhados há 500 mil anos. Há 400 mil anos, o Homo Neandertal deixou África para habitar na parte ocidental da Eurásia. Em África ficou o Homo Sapiens. Há 350 mil anos, o Neandertal desenvolveu-se e ocupou a Eurásia, de Portugal até à Sibéria.

Há 100 mil anos, o Homo Sapiens saiu de África e apareceu em Israel. Há 95 mil anos chegou à Malásia, e há 40 mil à Austrália. Por essa mesma altura, invadiu a Europa, derrotando o Neandertal ou cruzando-se com ele. Há 28 mil anos, temos a última evidência do Neandertal que se extinguiu. Há 14 mil anos, o Homo Sapiens passou da Sibéria pelo estreito de Bering e entrou na América pelo Alasca, deslocando-se paulatinamente para sul, até ocupar todo o continente.

Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada (2,5 milhões – 10 000 A.C.)
Nesta época, o ser humano era nómada e não conseguia construir uma habitação permanente. Por isso, habitava em cavernas, tendo que disputar este tipo de habitação com animais selvagens. Quando acabavam os alimentos da região em que se encontravam, as famílias tinham que migrar para outra região.

Viviam da caça de animais de pequeno, médio e grande porte, da pesca e da recolha de frutos, folhas e raízes. A economia na fase do Paleolítico era de subsistência, ou seja, o grupo não acumulava nem produzia para comércio, mas apenas para a sua sobrevivência.

Os primeiros humanos que dominaram e lascaram as pedras, tinham por prática produzir materiais batendo com pedras umas nas outras até produzirem uma ponta afiada. Estes artefactos serviam, especialmente, para o corte de carnes e de peles de animais. Usavam instrumentos e ferramentas feitos a partir de pedaços de ossos e pedras (machados, lanças, cajados, facas, etc.). Os bens de produção eram de uso e propriedade coletiva.

A descoberta do fogo
Uma das grandes descobertas do período foi a produção do fogo através de dois processos. O mais rudimentar era a fricção de duas pedras sobre um molho de palha seca. A faísca obtida incendiava a palha.

Num segundo procedimento, mais elaborado, um pequeno pau era girado no furo realizado num pedaço de madeira seca. Este procedimento, através do aquecimento, gerava calor que passava para a palha, provocando o fogo.
  • Como comentamos noutro texto, o fogo teve uma importância grande para a coesão de famílias e comunidades, pois todos se reuniam à volta da fogueira para se aquecerem. Como ninguém queria ficar de fora, ao frio, o fogo atuava como fator dissuasor de atitudes antissociais.
  • Permitiu estender a luz do dia pela noite e, como de noite não se podia trabalhar, as duas ou três horas extra de luz ténue serviam para manifestações culturais, para o partilhar de experiências e para a transmissão da cultura de pais para filhos.
  • A luz à noite aumentou a segurança dos seres humanos em relação aos animais que caçavam de noite, uma vez que servia para os afugentar.
  • No entanto, a utilização mais importante do fogo, nesta altura, foi a preparação dos alimentos. O alimento cozido ou assado melhorou a dieta do ser humano. Certos alimentos são mais nutritivos cozidos que crus. Ao fogo e ao cozinhar dos alimentos se deve o aumento populacional e a sobrevivência dos seres humanos.
  • Por fim, foi precisamente o fogo que permitiu aos humanos passarem da Idade da Pedra à Idade dos Metais. 
Organização social
Os homens organizavam-se em pequenos grupos, cuja liderança era do mais forte e experiente. Aos homens cabia a tarefa de caçar, pescar e proteger o grupo. As mulheres ficavam com a função de preparar o alimento e cuidar dos filhos.

Comunicação
A comunicação neste período assentava na emissão de alguns sons (ruídos), sem elaboração de palavras. Outra forma muita usada de comunicação foram as pinturas rupestres (desenhos feitos em paredes de cavernas). Através destes desenhos (arte rupestre) os homens marcavam o tempo, trocavam experiências e transmitiam mensagens e sentimentos.

Rituais
No Paleolítico, os homens já realizavam rituais funerários. Os arqueólogos encontraram, em várias regiões, potes de cerâmica com restos mortais e objetos pessoais dentro de cavernas. Eram também realizados rituais religiosos com a utilização do fogo.

Hominídeos que viveram no Paleolítico
Australopitecos, Homo Habilis, Homo Erectus, Homem de Neandertal, Homo Sapiens e Homem de Cro-Magnon.

Mesolítico ou da Idade da Pedra (10 000 A. C. – 8 000 A. C.)
O período Mesolítico é uma fase intermédia da Pré-história, entre os períodos Paleolítico e Neolítico. Esta fase não ocorreu em todas as regiões do mundo, mas apenas naquelas onde a glaciação teve efeitos mais consideráveis.

Neste período intermédio, o ser humano relacionou-se mais com a natureza e começou a fazer as primeiras experiências de domínio da mesma. A vida de nómada e a dependência do alimento externo não permitia o desenvolvimento. O homem aprendeu a domesticar os animais em vez de os caçar, dispondo assim sempre de alimento. Por outro lado, em vez de recolher frutos, plantas e raízes, começou a cultivá-los. Desta forma, conseguiu manter uma certa independência do meio ambiente.

Conforma as regiões, muitos humanos mantiveram uma vida parecida com a do Paleolítico, dependendo se se dedicavam mais à domesticação dos animais ou ao cultivo das plantas. Os pastores seriam nómadas, pois seguiam os seus rebanhos para as pastagens, enquanto que os agricultores se estabeleceram nas terras mais férteis pertos dos rios.

Neolítico (8 000 A. C. – 4 000 A. C.)
Neolítico, também conhecido como Idade da Pedra Polida. O início deste período foi marcado pelo fim das glaciações (época em que quase todo o planeta ficou coberto de gelo) e terminou com o desenvolvimento da escrita na Suméria (região da Mesopotâmia).

Desenvolvimento da agricultura: este avanço permitiu ao ser humano ter uma vida menos dependente da natureza. Já não necessitava de recolher frutos, vegetais e raízes, embora estas atividades continuassem a ser praticadas.

A domesticação dos animais (cabras, bois, porcos, cavalos e aves) também contribuiu para a melhoria da qualidade de vida. Aliada à agricultura, a domesticação dos animais permitiu ao homem um aumento significativo na quantidade de alimentos produzidos, eliminando a dependência da caça.

Em resultado do desenvolvimento da agricultura e domesticação dos animais, o ser humano deixou de ser nómada (sem morada fixa) para se tornar sedentário (com morada fixa). Este facto permitiu o desenvolvimento das primeiras comunidades (tribos, aldeias, vilas e cidades). Estas primeiras comunidades desenvolviam-se nas margens de rios e lagos. Além de suprir as necessidades básicas, a água assumia uma nova função na vida dos homens: irrigar o solo para o plantio.

Com o aumento da produção de alimentos, criou-se a necessidade de armazenamento. No Neolítico ocorreu um grande desenvolvimento da arte cerâmica. Vasilhas e potes eram modelados e cozidos no fogo. De acordo com os arqueólogos, os primeiros objetos de cerâmica foram fabricados há cerca de 8,5 mil anos.

Nas primeiras comunidades que se formaram, tornou-se necessário organizar o trabalho. Os homens ficaram encarregados da caça, pesca e segurança (função militar de proteção). As mulheres ficaram com as tarefas de cuidar dos filhos, da agricultura e da preparação dos alimentos.

Com o aumento da produção vieram os excedentes. Além de armazenarem para os períodos de maior necessidade, os homens começaram a trocar estes produtos com outras comunidades. Foi o início da economia de trocas.

Com mais alimentos, ocorreu um significativo aumento populacional. Este facto passou a gerar a necessidade de formas de administração mais desenvolvidas, inclusive com o estabelecimento de lideranças e funções mais específicas dentro da comunidade.

No Neolítico, os homens passaram a construir habitações mais resistentes, pois necessitavam de permanecer em locais fixos. Habitações de madeira, argila e blocos de pedra passaram a ser construídas nas aldeias. Nas margens dos lagos e rios, eram comuns as palafitas (casas de madeira com estacas fixadas no fundo do rio ou lago).

As primeiras civilizações surgiram e desenvolveram-se no período Neolítico. Dentre elas, podemos citar: a civilização mesopotâmica (entre os rios Tigre e Eufrates) e a civilização egípcia (vale do rio Nilo, nordeste de África).

Conclusão - Ao contrário dos animais que sempre viveram à vontade numa relação simbiótica com a Natureza, a sobrevivência e o desenvolvimento para os seres humanos exigiram uma emancipação dela. O uso de instrumentos, feitos de pedra, foi o primeiro ato de libertação.
Pe. Jorge Amaro, IMC

1 de novembro de 2019

3 Fatores do metabolismo - Combustível - Comburente - Ignição

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Depois de falar da fotossíntese como sendo o processo pelo qual as plantas transformam energia em matéria, vamos abordar agora o processo contrário: a transformação da matéria em energia. As plantas queimam parte da matéria que produzem para sobreviver e fazem-no da mesma forma que os outros seres vivos não vegetais; a única diferença é que as plantas só queimam o que produzem - são assim completamente independentes, enquanto que os demais seres vivos não vegetais queimam o que as plantas produzem porque não produzem o seu próprio alimento.

Estamos a falar do metabolismo que é, de facto, uma combustão. Há uma ignição - o momento em que o ser vivo nasce e começa a respirar oxigénio que é o comburente para todas as combustões - e o combustível - o alimento consumido por cada ser vivo. Antes de falar desta combustão lenta que ocorre no interior de cada ser vivo, falemos da combustão em geral.

O processo da combustão
A combustão consiste numa reação química entre dois elementos: um é combustível, o outro é comburente, ou seja, facilita ou torna possível a combustão. O comburente é sempre o oxigénio; os combustíveis têm todos algo em comum: são de origem orgânica, ou seja, já foram organismos vivos, cadeias carbónicas ligadas a átomos de hidrogénio ou oxigénio.

Mas então como realiza a combustão a nossa estrela, o sol, se não tem o comburente oxigénio? As combustões na Terra são uma reação química. No sol e em todas as estrelas as combustões são uma reação nuclear, ou seja, a pressão no interior do sol é tal que faz com que os átomos de hidrogénio se fundam, libertando energia e transformando o hidrogénio em hélio.

Voltando á nossa realidade na Terra, para que uma combustão se dê, não basta haver um combustível, também é preciso um comburente que ajude o processo e o torne possível. Tomemos como exemplo uma vela acesa - pode arder durante horas até queimar toda a sua cera; mas se a colocarmos debaixo de uma redoma de vidro, só arde até usar todo o oxigénio. Privada de comburente e ainda com muito combustível, apaga-se.

Para além do combustível e do comburente, ainda falta um terceiro elemento: a ignição. A vela não nasceu acesa, alguém a acendeu; e, se não tiver sido acesa, mesmo na presença de oxigénio, não arde. Até a gasolina, que é bastante mais inflamável que a vela, não arde na presença do oxigénio, a menos que se dê a ignição. No caso da gasolina, pode até ser o calor atmosférico.

Recordamos que na fotossíntese, o carbono livre da atmosfera se une ao hidrogénio para formar matéria. Na combustão, esse mesmo carbono oxida-se, ou seja, une-se ao oxigénio ou O2 para formar dióxido de carbono CO2, libertando energia ou calor durante o processo. A energia que se liberta é, digamos assim, aquela que uma planta obteve anteriormente do sol e que ficou acumulada no combustível fóssil, seja ele carvão, madeira, petróleo ou gás natural.

Combustível
É qualquer substância que reage com o oxigénio do ar, libertando luz e calor. Assim, o fogo é o processo pelo qual a matéria solta a sua energia ou se transforma em energia. Qualquer que seja a substância, é sempre o resultado de uma fotossíntese do passado. Combustível é energia acumulada, é a matéria que pode transformar-se em energia, em algo que já foi. Só precisa de um começo, de um motor de arranque e da presença de um comburente que é geralmente o oxigénio.

Durante grande parte da História da humanidade, os combustíveis usados foram as plantas, o álcool, e os óleos vegetais como o rícino, o azeite e as gorduras animais. Na primeira revolução industrial, surgiu o primeiro combustível fóssil - o carvão mineral - que alimentou durante muito tempo a primeira máquina que o ser humano construiu: a máquina a vapor.

Depois surgiu o petróleo e os seus derivados, gasóleo, querosene e gasolina; surgiu também o gás natural, primeiro para uso doméstico, depois para uso industrial. Por fim, surgiu a energia nuclear que resulta da quebra de átomos de urânio, libertando energia que depois é aproveitada pelo princípio da máquina a vapor, para mover um gerador elétrico.

Comburente
Dissemos que a maior parte dos combustíveis são de origem orgânica. O mesmo pode ser dito do comburente oxigénio. Como vimos ao falar da fotossíntese, o oxigénio é um componente da água; não há oxigénio solto no espaço; o pouco que há, faz parte da molécula da água e existe no espaço em forma de gelo. O mesmo acontece na Terra: o oxigénio está na água e a água está no mar.

Para libertar o oxigénio da água, precisamos de uma fonte de energia para romper a sua molécula através do fenómeno do eletrólise. No entanto, este processo não acontece na natureza - o processo natural pelo qual o oxigénio é libertado é a fotólise que é a primeira etapa da fotossíntese.

São as plantas, tanto as terrestres como as aquáticas, que libertam oxigénio para o ar ao realizarem a fotossíntese.  Se o nosso ar é atualmente composto por 21% de oxigénio que permite e facilita todas as combustões que se realizam no nosso planeta, tanto as vivas como as lentas no interior de todos os seres vivos incluindo as plantas, devemo-lo às cianobactérias que há milhões de anos fabricam o oxigénio no fundo do mar, borbulha a borbulha, com a ajuda do sol.

Ignição
Como dissemos, o combustível na presença do comburente não arde se não for aceso. Algo tem de dar o pontapé de saída. O universo necessitou de um começo, de um motor de arranque, de um pontapé de saída que foi o Big Bang. Toda a combustão necessita de ser iniciada; a partir daí, tudo se desenvolve automaticamente. Também as peças do dominó colocadas umas à frente das outras, podem desenvolver uma ação em cadeia; contudo, a primeira tem de ser tocada porque esta reação não ocorre espontaneamente sem um agente, ou seja, sem a primeira peça ser tocada.

A ignição pode ser definida como a temperatura mínima à qual um combustível começa a arder sem parar. Nos primórdios da humanidade, quando o fogo foi descoberto, a ignição era desencadeada pela fricção entre dois troços de madeira até acontecer a ignição. Hoje, toda a combustão é iniciada por uma faísca elétrica ou por um fósforo. Os motores a gasolina precisam de uma faísca; nos motores a gasóleo, este é aquecido e comprimido até explodir por si mesmo.

A descoberta do fogo
O fogo é uma combustão na qual e pela qual as substâncias chamadas combustíveis se combinam com o oxigénio do ar, produzindo luz, calor e dióxido de carbono. A definição tecnicamente correta não satisfaz plenamente o nosso assombro e vontade de compreender. Não conseguimos deixar de ficar intrigados com esta realidade. Como por artes mágicas, parece estar presente em toda a parte; quando invocado ou convocado, faz-se visível e é notado pois queima, destrói, aquece, modifica, funde e depois desaparece. Nada permanece como era, destrói umas realidades e cria outras, antes de voltar a desaparecer e se tornar invisível até ser convocado ou invocado de novo. O fogo e a sua verdadeira natureza desde sempre intrigaram o ser humano. Vejamos como a mitologia grega tratou esta realidade.

Prometeu roubou o fogo aos deuses
Na mitologia grega, foi Prometeu, um titã, com a condescendência de Zeus, que criou os seres humanos que deveriam ser obedientes aos deuses. Sempre benevolente com as suas criaturas, Prometeu subiu ao monte Olimpo para roubar o fogo aos deuses e dar assim aos humanos a melhor arma para dominar a natureza.

A civilização humana progrediu rapidamente o que desgostou Zeus que castigou Prometeu, aprisionando-o a uma rocha; todos os dias uma águia lhe comia o fígado de dia que voltava a crescer de noite. Apesar da sua agonia, Prometeu nunca se arrependeu do seu ato rebelde e acabou por ser libertado após muito tempo por outro titã, Hércules.

Neste mito, Prometeu é exaltado pela sua inteligência, mais importante que a força, pelo seu altruísmo como benfeitor da humanidade, pelo risco que correu e por, apesar de tanto sofrimento, não se arrepender do que tinha feito. O progresso da humanidade deve-se ao facto de o ser humano ser criativo como Deus é. Mas mesmo sendo criativo, para dominar verdadeiramente a natureza, precisa do fogo; com o fogo, o homem pode misturar os elementos existentes e criar novos. Sem o fogo, continuaria nas trevas da ignorância.

É impossível não ver em Prometeu certas semelhanças com Cristo, na religião cristã. Apresenta grandes recursos, incluindo a notável inteligência e prudência, mas também segue a ideia de rebelião contra o poder estabelecido, a libertação dos oprimidos e o sacrifício de si mesmo sem querer nada em troca e, finalmente, a criação de um novo sistema ao qual todos têm acesso: o Reino de Deus.

O fogo da lareira
O fogo não só permitiu associar e misturar elementos de diferente natureza, fundir os metais, inventar novas ligas mais fortes, como também permitiu que os seres humanos se reunissem à sua volta e formassem comunidades. A necessidade de aquecer-se, de não morrer de frio ao ser excluído do fogo ou da comunidade levou os seres humanos a vencer o individualismo e a criar comunidades coesas.

Esta é a razão pela qual o fogo da lareira evoca em nós sentimentos fraternos de harmonia, paz e amor; até há bem pouco tempo, contavam-se as famílias de uma aldeia pelos fogos: o número de fogos de uma aldeia era o número de famílias da aldeia.

Ainda hoje o amor é simbolicamente representado como um fogo em inúmeras poesias. Há um soneto de Camões que atesta este uso do fogo como símbolo do amor: “O amor é fogo que arde sem se ver”. De facto, o amor une duas pessoas diferentes, cria vínculos, vence o individualismo, cria igualdade entre as pessoas, cria alianças, harmonia, convivência fraterna.

Durante milhares de anos, à volta da fogueira, circulava a cultura através da tradição oral: os avós passavam para os filhos e netos o que eles mesmos tinham recebido dos seus pais… Os invernos eram longos e longas eram as noites; durante o dia não havia tempo para esta convivência, era preciso lutar pela vida. Tão evocativo é o fogo da lareira, reminiscência da nossa vida antepassada, que hoje há canais de televisão que transmitem uma lareira acesa durante 24 horas por dia.

Fogo e civilização
Foi o domínio do fogo que fez o ser humano passar da Idade da Pedra para a Idade dos Metais. É certo que os humanos já tinham visto o fogo nos vulcões, num incêndio provocado pelos raios de uma trovoada, mas não sabiam como invocá-lo, como provocá-lo. O domínio do fogo foi importante para criar os primeiros objetos de argila e os metais. O fogo na preparação de alimentos deu ao homem acesso a novas fontes de proteína, a uma melhoria da dieta e a uma melhor absorção dos alimentos.

Durante séculos, o fogo permaneceu retido na fogueira ou na forja dos metais e no forno do oleiro. Com a revolução industrial, descobriu-se a máquina que funcionava como um forno, aquecendo água da qual sairia o vapor para mover os pistões que acionavam as rodas de uma locomotiva. Daqui aos motores de explosão, carros, navios, aviões, foguetões, foi um passo curto.

Podemos ler a História da civilização humana como a História do fogo e do seu aproveitamento. Por fim, temos a energia nuclear de fusão atómica que transforma o calor libertado pela ruptura do átomo e transmitido à água em energia mecânica para mover um gerador elétrico, produtor de eletricidade.

A Génese da vida
Qual é a origem da vida na Terra? Como é que a matéria inorgânica se tornou matéria orgânica? Como podem átomos e moléculas inanimados transformar-se em matéria animada? A abiogénese é a ciência que estuda este passo. Até agora, tem havido muitas teorias propostas para explicar como da matéria inorgânica inerte se transita para a matéria orgânica, mas nenhuma sem comprovação empírica. Ou seja, ainda ninguém consegui fazer vida em laboratório.

O primeiro ser ou organismo vivo que apareceu no nosso planeta era uma célula sem núcleo, portanto procariota e sem membrana. Apareceu há 4 mil milhões de anos e é, portanto, quase tão antiga como o nosso planeta que se formou há 4,5 mil milhões de anos. Estas bactérias eram as arqueias e as cianobactérias que começaram a fazer fotossíntese e a preparar o caminho para outras formas de vida.

Mais tarde, de alguma forma, estas cianobactérias associaram-se, formando células eucariontes com nucelo, reduzindo-se a cianobactéria ao cloroplasto destas células. As cianobactérias ainda existem, são anteriores aos animais e às plantas, não sendo nem uma coisa nem outra: Mas estão na origem das duas formas de vida: plantas e animais.

Contrariamente ao que parece lógico, os animais, não as plantas, foram os primeiros a sair do mar e a colonizar a terra. Mas se os animais foram os primeiros, o que é que eles comiam em terra já qque não havia nada? Os animais eram anfíbios e faziam a maior parte da sua vida no mar, mas provavelmente vinham a terra para fugir dos seus inimigos ou para depositar ovos. No entanto, as algas colonizaram as rochas da costa há 1,2 mil milhões de anos. Os animais foram os primeiros a vir a terra, mas as plantas foram as primeiras a estabelecer-se em terra.

A cianobactéria é um animal não é uma alga, pois a alga é formada por células eucariontes, enquanto que a cianobactéria é procarionte.

Apesar das cianobactérias serem conhecidas como "algas azuis - verdes", estritamente falando não são algas porque as algas são compostas por células eucariontes, as cianobactérias são compostas por células procariontes.

Combustão e respiração
Como a combustão é o processo pelo qual os materiais combustíveis são oxidados libertando energia, a respiração, tal como a combustão, consiste na oxidação de alimentos como a glicose, os aminoácidos e os ácidos gordos, tendo como resultado a produção de energia e dióxido de carbono. Até aqui não há diferenças entre os dois, mas na respiração não se forma apenas energia, formam-se também outros produtos materiais, ou seja, mais matéria. Por isso se chama metabolismo, mudança ou transformação.

Em linhas gerais, esta seria a diferença. Porém, se a combustão em vez de ser completa for incompleta, ou seja, em vez de ser viva for uma combustão lenta, também se obtêm materiais, como acontece no caso da respiração ou metabolismo. Pensemos na forma como se faz o carvão vegetal de madeira: coloca-se a madeira toda junta numa pira e tapa-se a pira com terra deixando apenas um buraco no fundo e outro no cimo da pira. A madeira arde em combustão lenta pois limitamos a entrada de oxigénio e, ao fim de uns dias, temos toda a madeira transformada em carvão. Se o oxigénio não fosse limitado, teríamos cinzas em pouco tempo.

O mesmo acontece com um corredor de fundo: - se depois dos primeiros minutos de corrida, ao sentir-se cansado pelo aumento do batimento cardíaco, o atleta começar a respirar pela boca e não limitar a entrada de oxigénio, depressa se cansará e, depois de gastar toda a glicose, terá de parar. Porém, se limitar a entrada de oxigénio, obrigará o corpo a mudar de combustível e, em vez de usar glicose que se queima rapidamente e consome muito oxigénio, começará a queimar ácidos gordos que se queimam sem a ajuda do oxigénio. Deste modo poderá correr por muito tempo sem alterar a respiração nem o ritmo cardíaco.

Um outro processo físico de combustão lenta é a degradação, a ferrugem, sobretudo dos metais, nomeadamente do ferro. Com o tempo, todos os objetos que contêm ferro – e são muitos, já que o ferro é o metal mais usado – e até mesmo o aço chamado inoxidável em certas condições de humidade, acabam por oxidar-se, ou seja, queimam-se ou degradam-se pela presença do oxigénio.

Respiração ou decomposição da glicose
A glicose é o combustível mais utilizado pelos seres vivos; a decomposição da glicose liberta a energia que está contida nas suas ligações químicas. A glicose tem seis carbonos, 12 hidrogénios e 6 oxigénios, e em cada ligação entre estas moléculas há um teor de energia. À medida que a glicose se decompõe, a energia vai sendo libertada e utilizada pelo corpo. A respiração decompõe completamente a glicose, transformando-a em energia e matérias inorgânicas, como o dióxido de carbono. Há ainda um outro processo que decompõe a glicose, mas só parcialmente, já que a transforma em outros produtos orgânicos; chama-se a este processo fermentação.

Metabolismo
Segundo a definição encontrada no dicionário, metabolismo é o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será utilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e realizem as suas funções.

O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo (onde há degradação ou “quebra” de compostos) e anabolismo (que é a síntese, ou seja, formação de compostos). Recordemos que também na fotossíntese há duas etapas e que a segunda não se realiza sem se realizar a primeira. O processo de fabricação da glicose e o processo da sua degradação, quebra ou decomposição, são semelhantes.

A fotossíntese que fabrica a glicose a partir de moléculas mais pequenas, é uma via de construção anabólica; a respiração celular ou metabolismo ao decompor a glicose em moléculas mais pequenas, é uma via de degradação catabólica.

Vimos que na fotossíntese as plantas fabricam o seu alimento e parte deste é utilizado para consumo próprio. O fabrico de alimento é a fotossíntese; a utilização do mesmo para o consumo próprio e crescimento é o metabolismo. Por isso, a célula vegetal é de alguma forma mais complexa que a animal; possui uma organela que a animal não tem: os cloroplastos pelos quais realiza a fotossíntese. Por outro lado, tal como as células animais, tem as mitocôndrias pelas quais realiza o metabolismo.

No metabolismo, a fase anabólica da célula usa a glicose para a construção de elementos celulares, para a substituição destes quando estão danificados ou envelhecidos e também para crescer. Na fase catabólica liberta-se a energia que permite a temperatura constante do organismo e o funcionamento geral de todas as funções do mesmo organismo.

O metabolismo é uma combustão porque não é possível sem o uso de oxigénio. Nesta combustão, o combustível são as proteínas, os lípidos e os hidratos de carbono que, combinados com o oxigénio do ar na respiração, produzem energia que é usada no momento para o funcionamento geral do corpo, mas que também é armazenada para ser utilizada no futuro e para o crescimento do mesmo corpo. Tudo no universo obedece às mesmas leis, funciona da mesma maneira ou de maneira análoga.

Conclusão, o processo tridimensional da combustão lenta ou viva, é o que faz com que tanto a vida criada por Deus como os automatismos ou motores criados pelo homem vivam e funcionem respetivamente.
Pe. Jorge Amaro, IMC