1 de fevereiro de 2026

Muralhas & Livros

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(…) Todo o povo se reuniu, como um só homem, na praça (…) Esdras leu o livro, desde a manhã até à tarde, (…) e todo o povo escutava com atenção a leitura do livro (e) chorava ao ouvir as palavras da Lei
Neemias 8, 1, 3, 9

No mundo antigo e medieval, a identidade de um povo, a sua forma de ser e existir, o seu caráter, a sua língua, a sua cosmovisão e idiossincrasia eram defendidas e preservadas por muralhas e construídas por livros, epopeias, obras literárias. No mundo há ainda muitas cidades fortificadas, como Óbidos e Marvão, castelos e muralhas como a que divide a Inglaterra da Escócia, construída pelos Romanos; e a famosa muralha da China, com milhares de quilómetros, que parte a China em duas.

As muralhas também podem ser entendidas em sentido figurativo. Os ciganos não têm pátria nem língua própria, vivem disseminados em praticamente todos os países do mundo ocidental e, no entanto, não se misturam e são facilmente distinguidos pela forma de vestir, pelos seus usos, costumes e tradições.

O que verdadeiramente cria um povo é uma obra literária. É impensável o povo judeu sem a Torah, sem os livros da lei e os profetas. O que define e caracteriza o povo grego são a Ilíada e a Odisseia de Homero; o ex libris do povo italiano é a Divina Comédia de Dante Alighieri; o que define o caráter do povo espanhol é o Dom Quixote de la Mancha de Cervantes; a alma russa encontra-se em Dostoievski, no seu livro Os irmãos Karamazov. 

A alma inglesa está representada por Shakespeare e, por fim, a alma portuguesa ou lusitana está nos Lusíadas de Camões. A alma da Colômbia ou de todo o povo latino-americano é representada em Cem Anos de Solidão por Gabriel García Márquez.

O dia de Portugal e das comunidades de língua portuguesa não é o dia do rei Dom Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal e o que teve o reinado mais longo da nossa história, 57 anos. O dia de Portugal é o dia de Camões, porque a nossa nacionalidade, mais que a golpe de espada nasceu a golpe de pena, da pena de Camões. 

Para o rei Dom Afonso Henriques, Portugal eram as suas terras, os seus domínios. Foi Camões que criou a nacionalidade; que nos deu uma pré-história dos feitos dos lusitanos, que descreveu o nosso caráter e a nossa História no decorrer da grande epopeia da nossa nação à descoberta do caminho marítimo para a Índia. E foi fiel às raízes da nossa língua, escrevendo em verso, ao estilo das cantigas de amigo cantadas em galaico-português pelos trovadores do caminho de Santiago. 

Se eu reunisse um grupo de emigrantes portugueses obrigados a viver em terra estrangeira pelas vicissitudes da vida e lhes recitasse: “As armas e os Barões assinalados que da ocidental praia lusitana, por mares nunca dantes navegados…” de certeza que chorariam ao serem tocados no mais profundo do seu ser, como choraram os judeus voltados do exílio da Babilónia ao ouvirem Esdras a recitar o livro da Lei do Senhor. 

Onde está a nossa identidade, o que nos define como católicos? Deixamos de rezar o terço em família para antes vermos telenovelas; a família que reza unida permanece unida; a nossa taxa de divórcios é a mais alta em todo o mundo, ultrapassando os 70%. 

Não vamos à missa aos domingos e desculpamo-nos com o refrão tantas vezes repetido “os que lá vão são os piores”; criamos o anacronismo de “católico não praticante”, como se um pianista pudesse ser pianista não praticante; ou um cientista o pudesse ser só de nome. Os únicos que se benzem são os futebolistas ao entrar e sair do campo. 

O Mestre disse-nos que fossemos sal da terra, mas agora o que somos é terra; que fossemos a luz do mundo para que os homens vendo as nossas boas obras glorificassem a Deus, mas nós somos mundo, não luz; que fossemos o fermento da massa, mas é massa o que somos; café sem cafeína, tabaco sem nicotina, cerveja sem álcool, em suma, deslavados 

Oxalá fossemos com os ciganos ou os Judeus, que ao possuírem uma identidade forte, conseguem sobreviver na cultura mais adversa.

Conclusão – Como os Lusíadas para Portugal, há obras literárias que resumem em si a idiossincrasia de um povo. Os livros criam uma identidade cultural, as muralhas defendem-na. 

Pe. Jorge Amaro, IMC

15 de janeiro de 2026

Deus e César

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“Mestre, diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar o imposto a César?» Mas Jesus, conhecendo-lhes a malícia, retorquiu: «Porque me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do imposto.» Eles apresentaram-lhe um denário. Perguntou: «De quem é esta imagem e esta inscrição?» «De César» – responderam. Disse-lhes então: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
” (Mateus 22, 17-21)

O dinheiro é de César, nós somos de Deus
Nos tempos de Jesus, aceitar pagar imposto a César era, para muitos judeus, quase um ato de apostasia, pois implicava reconhecer César, e não Deus, como Senhor. No entanto, Jesus, ao invés de tomar partido num conflito político, eleva a discussão e, ao mesmo tempo, dá uma lição intemporal.

Pede a moeda do tributo, que lhe é prontamente entregue. Era uma moeda romana com a imagem de César impressa. Foi então fácil para Jesus dizer: “Dai a César o que é de César”, pois a moeda pertence a quem a cunhou. Mas Ele não fica por aí. Acrescenta: “…e a Deus o que é de Deus.” Ou seja, tal como a moeda tem impressa a imagem de César, o ser humano tem impressa a imagem de Deus, porque foi criado à Sua imagem e semelhança. Portanto, o que é de Deus somos nós mesmos – a nossa vida, consciência, liberdade e amor.

Separação entre Igreja e Estado
Ao contrário de algumas outras grandes religiões, o cristianismo nunca impôs ao Estado nem à sociedade um direito revelado ou um ordenamento jurídico derivado da fé. Como afirmou Bento XVI, a Igreja sempre apelou à razão e à natureza como fontes verdadeiras do direito.

“Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” significa que há deveres distintos: para com Deus e para com o Estado. Se quisermos simplificar sem cair no simplismo, podemos dizer: o Estado governa o corpo, Deus governa a alma.

Quando Deus disse: “Crescei e multiplicai-vos e dominai a terra” (Génesis 1,22), concedeu ao homem autonomia e responsabilidade sobre a criação. Deus não delegou aos profetas nem ao Seu Filho a revelação de sistemas de governo ou técnicas de administração política. A revelação divina sempre nos orientou para o amor, a justiça, a paz e o entendimento entre os povos, bem como para a amizade com Deus.

Há, portanto, uma distinção legítima entre o temporal e o espiritual. Os governantes fazem leis, criam impostos, organizam a sociedade – e devem ser respeitados enquanto agirem de forma justa. A Igreja não prescreve as soluções técnicas ou políticas para os problemas da sociedade. O cristianismo, como frisou Bento XVI, nunca derivou leis civis do Evangelho. Não existe, no cristianismo, um equivalente à Sharia, o sistema legal muçulmano extraído diretamente do Alcorão e que rege a vida política, moral e social em certos países.

O direito romano, que influenciou fortemente os sistemas jurídicos ocidentais, inspirou-se na filosofia grega, não na revelação bíblica. A missão da Igreja é outra: iluminar a consciência dos homens, promovendo valores como a justiça, a paz, a caridade e o bem comum.

O chamado Cesaropapismo da Idade Média, bem como as suas reinterpretações em regimes fascistas europeus ou latino-americanos do século XX, nunca foram uma versão cristã da Sharia. Foram sim, trágicas misturas de interesses políticos e religiosos, em busca de poder absoluto, sem fidelidade ao Evangelho.

Reino de Deus e Reino dos Homens
Disse Jesus a Pilatos: «A minha realeza não é deste mundo; se a minha realeza fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que Eu não fosse entregue às autoridades judaicas; portanto, o meu reino não é de cá.» (João 18,36)

Jesus deixa claro que não veio estabelecer um poder político. Se o seu Reino fosse deste mundo, teria mobilizado exércitos. Mas não: o seu Reino é espiritual, e a sua força é o amor. Jesus não veio governar na Terra à maneira dos reis humanos, mas sim transformar os corações.

Durante a campanha do referendo sobre o aborto, alguns políticos disseram que a Igreja não se devia meter na política. É verdade que a Igreja não se deve intrometer na política partidária, nem no governo rotineiro da polis. Não deve recomendar partidos nem candidatos, pois nenhum representa na totalidade o Evangelho.

Mas a Igreja tem o dever de ser voz profética. Deve falar em nome dos pobres, dos oprimidos, dos excluídos – porque todos os sistemas políticos, mesmo os democráticos, acabam por gerar vítimas. A Igreja deve ser referência de justiça, de paz, de solidariedade. Tal como Jesus, deve denunciar o pecado e anunciar a verdade.

Ao rezar “Venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade, assim na Terra como no Céu”, o cristão deseja que o Reino de Deus se manifeste já neste mundo. Isso acontece sempre que alguém promove a justiça, a paz, o perdão e o amor.

Salomão: exemplo de um rei guiado por Deus
“Concede ao teu servo um coração dócil, para saber administrar a justiça ao teu povo e discernir o bem do mal” (1 Reis 3,9)

Salomão, na véspera da sua coroação, não pediu riquezas, vitórias sobre os inimigos nem longa vida – como fazem os políticos de todos os tempos. Pediu sabedoria e humildade. Salomão governava Israel, mas era Deus quem governava Salomão.

Deus e a política
O Reino de Deus não é um sistema rival do Reino dos Homens. Ele atua como fermento dentro da massa. Opera no interior da história, através dos homens e mulheres que fazem o bem, que lutam por um mundo mais justo e fraterno. E, como o Espírito sopra onde quer, os cidadãos do Reino de Deus não são apenas os cristãos, mas todos os homens de boa vontade.

Isaías (45,1.4-6) chama Ciro, rei da Pérsia, “ungido do Senhor”, embora este fosse pagão, porque realizou a vontade de Deus. Isso mostra que Deus pode inspirar quem Ele quiser – mesmo fora das fronteiras visíveis da fé.

Tudo pertence a Deus – inclusive César
Nos tempos antigos, o governo do povo de Israel antes dos reis estava baseado na ideia de que tudo pertence a Deus. De facto, Deus é o Criador de tudo. Mas isso não significa que deva reger diretamente os detalhes da política ou da economia de cada nação.

Porque é transcendente, Deus não se impõe nos particulares. Porque é imanente, age no interior de cada consciência. Ele inspira os legisladores e os governantes para que façam leis justas, que promovam a paz, a concórdia e o bem comum.

Deus não escreveu diretamente a Bíblia – inspirou os autores sagrados. Do mesmo modo, Deus não dita leis civis, mas sopra ao coração daqueles que têm responsabilidades, a fim de que sejam sábios, justos e honestos.

Conclusão - O dinheiro pertence a quem tem a sua imagem nele impressa. Pela mesma razão, nós pertencemos a Deus porque fomos criados à sua imagem e semelhança.  

Pe. Jorge Amaro, IMC


1 de janeiro de 2026

Tudo é relativo

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Ao longo da história do pensamento, muitos procuraram simplificar e sintetizar a complexidade da realidade num único conceito. Assim, Moisés veio e disse: "A Lei é tudo"; Jesus veio e disse: «O amor é tudo»; em seguida, Karl Marx declarou: "O capital é tudo"; Freud afirmava: "O sexo é tudo"; Adler acrescentou: "O poder é tudo". Finalmente, Einstein veio e jogou tudo pela janela, proclamando: "Tudo é relativo". (Anônimo)

A falácia do relativismo absoluto
A afirmação "tudo é relativo" não só relativiza o absoluto, mas também absolutiza o relativo. Ou seja, "tudo é relativo" ironicamente torna-se uma nova forma de absoluto.

Dizer que "tudo é relativo" implica que nada é absoluto; no entanto, se o conceito de absoluto não existisse, também não existiria o conceito de relativo — pois ambos se definem em contraposição. A noção de "relativo" só faz sentido se houver algo que não o seja. Portanto, é lógico concluir que realidades absolutas e realidades relativas coexistem.

"Tudo é relativo" é uma generalização. E todas as frases que contêm termos como "tudo", "nada", "sempre", "nunca" ou "nunca" tendem à generalização abusiva. De fato, não há nada mais falso do que uma generalização totalizante — seja ao longo do tempo, alegando que algo sempre ocorreu ao longo da história humana; ou sobre o espaço, alegando que ocorreu em todos os lugares e culturas.

Estas expressões são frequentemente utilizadas para simplificar a realidade. No entanto, a realidade é muito mais complexa do que parece. Ao contrário da física mecanicista newtoniana, a física quântica nos mostra que os fenômenos nem sempre ocorrem da mesma maneira. Falamos, antes, de probabilidades estatísticas. Ou seja, mesmo na ciência, nem tudo é absoluto.

Relativismo Moral
É no campo da moral ou ética que esta falácia – "tudo é relativo" – tem sido mais comum e abusivamente aplicada. O relativismo moral desorienta especialmente a juventude. Ao afirmar que tudo é relativo, o indivíduo coloca-se como a medida de todas as coisas, rejeitando qualquer autoridade além ou acima de si mesmo.

Não é mais o Homem (com M maiúsculo) como medida de todas as coisas, como disse Protágoras, mas sim o indivíduo isolado. No entanto, uma sociedade em que cada pessoa se considera o único critério de verdade e valor está condenada à fragmentação – como a Torre de Babel. Um mínimo de consenso é essencial para a convivência humana.

O ser humano é simultaneamente individual e social. A liberdade é uma condição fundamental para a individualidade e deve ser promovida; Mas a igualdade é uma condição indispensável para a paz social e, por isso, deve ser cultivada. Uma sociedade com grandes desigualdades só pode sustentar-se através de ditaduras, exércitos e repressão. Mas nenhuma ditadura dura para sempre.

É verdade que os valores humanos podem mostrar nuances culturais, históricas e até pessoais. No entanto, é indispensável um mínimo de objetividade. Tomemos a linguagem, por exemplo: se o significado das palavras fosse puramente relativo, a comunicação entre as pessoas seria impossível.

Portanto, deve haver um padrão pelo qual possamos discernir se um comportamento é certo ou errado, apropriado ou inadequado. Eliminar esse padrão é abrir a porta à anarquia, que, como nos ensina a história, muitas vezes leva à tirania.

Mais ainda: por que o relativismo moral é quase sempre invocado para justificar certos comportamentos, mas raramente usado para condenar? Será porque serve mais para desculpar do que para exigir responsabilidade?

A Natureza dos Valores Humanos
De forma acrítica e irônica, muitos aceitaram "tudo é relativo" como se fosse uma verdade absoluta. Perante este slogan amplamente difundido, torna-se difícil comunicar verdades fortes e imutáveis, como os valores humanos.

Os valores humanos não mudam porque estão enraizados na natureza humana, que também não muda. Valores como a justiça, a paz, a generosidade, a solidariedade, a fraternidade e o amor permanecem inalterados ao longo de séculos e milénios. O que era amor no tempo de Jacó e Raquel, era amor no tempo de Marco Antônio e Cleópatra, e no tempo de Romeu e Julieta – e continuará a sê-lo daqui a mil anos.

A forma como vivemos estes valores não altera a sua validade. O facto de certas pessoas deixarem de as praticar não as torna obsoletas. Os valores humanos expressam a essência do ser humano no aqui e agora; e como essa essência é constante, os valores também o são.

Na conhecida fábula de Esopo, A Raposa e as Uvas, a raposa, incapaz de alcançar as uvas, declara que elas são azedas. Algo semelhante acontece hoje com os valores humanos: incapaz de praticá-los – por falta de vontade, esforço ou sacrifício – o homem moderno prefere relativizá-los, declará-los ultrapassados, a fim de evitar a culpa ou a autocrítica.

Einstein e os Absolutos da Ciência
Para Albert Einstein, nem tudo é relativo. A velocidade da luz, por exemplo, é uma constante universal e não pode ser superada por nenhum corpo físico. É uma verdade absoluta no âmbito da física. Nem mesmo a teoria da relatividade afirma que tudo é relativo – apenas que as medidas de espaço e tempo variam dependendo do quadro de referência.

A Coexistência do Absoluto e do Relativo
A vida do outro é, para mim, um valor absoluto. A minha própria vida é também um valor absoluto, na medida em que não tenho o direito de lhe pôr termo arbitrariamente. Mas essa vida torna-se relativa quando comparada com valores maiores — como a justiça, a paz ou o amor — pelos quais, se necessário, eu estaria disposto a morrer.

A nossa vida (o nosso tempo e energia) só encontra sentido quando dedicada ao cultivo de valores humanos – desde os mais elevados, como a justiça e o amor, até outros mais expressivos, como a arte ou a música. Por esses valores, especialmente o primeiro, muitos estariam dispostos a dar a vida.

Camões disse: "Valores mais altos se alevantam". Os valores não estão em contradição uns com os outros, mas estão articulados numa hierarquia. A vida, o amor, a paz e a justiça são superiores à pintura, à música ou à literatura. Como nos recorda o Evangelho, o amor de Deus está mesmo acima do amor pelos pais ou de qualquer outra realidade terrena.

A Imutabilidade da Natureza Humana
A natureza humana não muda — nem ao longo do tempo (de geração em geração), nem através do espaço (de cultura para cultura). Por que razão houve sociedades sem ciência nem tecnologia, mas nunca sociedades sem religião? Porque o sentimento religioso faz parte da natureza humana.

Este sentimento manifestou-se de forma semelhante em civilizações que nunca tiveram contacto umas com as outras. No Crescente Fértil e na América pré-colombiana, por exemplo, pirâmides foram construídas e sacrifícios humanos foram realizados. Estes paralelos não se explicam apenas por coincidência ou necessidade, mas sobretudo porque o ser humano é essencialmente o mesmo em todo o lado.

Existem múltiplas culturas e civilizações, com diferenças moldadas pela geografia, clima ou recursos disponíveis. Mas essas diferenças são superficiais. Existe apenas um modelo de desenvolvimento humano — aquele que culminou na civilização ocidental, responsável pela invenção da roda, da escrita, da eletricidade, do rádio, da televisão, do computador, da internet, do celular, entre outros.

Da mesma forma, não há alternativa a Jesus como caminho, verdade e vida. Jesus é o único modelo de humanidade vivida em plenitude, o único que realizou plenamente o potencial humano – moral, espiritual e existencial.

Conclusão - O slogan popular "tudo é relativo" acaba por ser um contradictio in terminis, pois relativiza o absoluto e absolutiza o relativo. A realidade humana, cultural, moral e espiritual é, de fato, feita de nuances, mas repousa sobre fundamentos que não podem ser relativizados sem graves consequências. Reconhecer essa tensão entre o absoluto e o relativo é um passo essencial para compreender a verdade – e para viver em paz com os outros e com nós mesmos.

Pe. Jorge Amaro, IMC